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Notícias de novembro 1999

31/11

Empate vai ser beleza

Vencer é ótimo, mas o empate no segundo jogo também é muito bom para o Corinthians. Fica essa certeza ao se conversar com Oswaldo ou Edílson. Técnico e jogador não escondem que ninguém verá o Corinthians correndo desesperado atrás de uma vitória no próximo domingo.

– Nossa vantagem aumentou com essa vitória e, se a gente empatar, aumenta ainda mais. E eu acho difícil que tudo se resolva em dois jogos. Deve ter o terceiro – explica Edílson.

– O Atlético se classificou em dois jogos, mas foi uma exceção. Também acho que vai ter três jogos – completa Oswaldo.

Edílson espera pela definição do substituto de Marcelinho para saber se sua missão em campo será diferente. Ele torce para que não.

– Olha, quero continuar jogando desse jeito, com os contra–ataques. E o que eu quero mais é que o São Paulo ataque muito, venha para cima mesmo. Assim, vai ter muito espaço para que eu jogue no meu estilo. É difícil, mas vamos lutar por essa segunda vitória. Se vier, já resolve tudo para nós.

O estilo a que Edílson se refere é definido por ele mesmo como uma fórmula matemática.

– É velocidade mais habilidade. É assim que eu sei jogar, sempre foi desse jeito. O São Paulo é um time bom, não tem um mapa da mina, não tem um jeito definido e garantido para ganhar deles. Tem é de entrar e jogar do nosso jeito, como sempre fazemos.

Dessa vez, com mais cautela.

– É lógico que não vamos sair para cima dos caras com tudo. Não estamos desesperados. Esse é o jogo mais importante dos três. Imagina se a gente empatar esse jogo. Eles vão ter de ganhar por 2 a 0 e isso não é fácil.

Para os que acham que a grande partida de Edílson ainda não aconteceu, ele manda um recado.

– Tenho jogado bem, não tenho dúvidas. E vou jogar melhor ainda. Nessa hora de decidir, o time inteiro do Corinthians mostra mais futebol. Eu nãos sou diferente.

Estrelando: São Dida

O preparador de goleiros do Corinthians e da Seleção Brasileira, Paulo César Gusmão, revelou ontem mais alguns detalhes dos recursos especiais que utiliza nos treinamentos que transformaram Nélson de Jesus na entidade São Dida.

– Durante os jogos temos uma câmera que só focaliza ele, mesmo quando o time está no ataque. Depois assistimos juntos e podemos corrigir os erros de posicionamento e de saída do gol.

PC também desmistificou o a fama de pegador de pênaltis:

– Ele não é treinado para isso. O que acontece é que ele tem uma envergadura muito grande (2,3m) e uma ótima técnica. É competência. Mas, claro, também entra a sorte.

E apesar de negar que haja uma preparação específica para a tarefa, além das cobranças nos finais de treinos, nas quais ele defende cerca de 50%, PC revela ser o grande trunfo de Dida.

– Observo os batedores e passo as informações para ele. No caso do Raí, por exemplo, tínhamos uma pessoa que assistiu ao jogo contra a Ponte, em Campinas, e lá ele bateu um pênalti igualzinho ao primeiro de domingo. Foi assim também durante a Copa América.

Todos querem ouví-lo

Dois dias depois do clássico de domingo, o goleiro Dida ainda é o mais procurado entre os jogadores do Corinthians. Além dele e dos demais goleiros do Timão, que treinavam orientados pelo preparador Paulo César Gusmão, apenas os zagueiros Batata e João Carlos estavam ontem no Parque São Jorge, mas ainda assim uma legião de repórteres compareceu.

Ao fim do treino, depois alguns minutos solitário em um canto do gramado em um ritual de relaxamento e reflexão, Dida veio caminhando, lentamente, com toda pinta de quem não gosta muito dos holofotes. E o tom de voz baixo, quase um sussuro, é mais um indício de que todo o assédio que vem sofrendo não altera sua personalidade.

O assunto principal, novamente, foi a habilidade em defender pênaltis. E aos poucos, alguns segredos vão escapando.

- Vai muito de instinto. Mas sempre tenho informações sobre os batedores. Aí decido se escolho o canto ou se espero o jogador bater na bola – entregou.

Dida também não teme que a cada pênalti defendido passe a ser, ele também, mais estudado.

– Se os jogadores mudarem o estilo de bater não vou poder fazer nada. Vou continuar me esforçando para defender.

Mas Dida não quer pênaltis acontecendo só para defendê-los:

– Quero a bola sempre o mais longe possível do meu gol.

O arqueiro também aproveitou para incentivar o amigo Marcos, após a falha na final de Tóquio.

- Foi uma infelicidade que acontece. Não posso dizer o que houve, mas ele não pode ser crucificado por isso. É um grande goleiro.

Eles querem a sete

O quinto cartão amarelo de Marcelinho abriu a temporada de caça à camisa 7 do Timão. Marcos Senna, Gilmar, Luiz Mário e Edu brigam pela chance de substituir o Pé-de-Anjo. Nessa eleição de um único eleitor a tarefa dos candidatos é provar quem é o mais capacitado para a difícil missão.

Como de costume, o técnico Oswaldo de Oliveira faz mistério. Não há argumento que o faça revelar quem é o escolhido.

– Ainda tenho cinco dias para pensar. Só vou decidir quem joga bem pertinho da partida - esconde.

Oswaldo faz o possível para parecer que esse não é um jogo de cartas marcadas. Mas dá uma dica que praticamente tira do páreo um dos candidatos.

– O Marcelinho volta para ajudar na marcação e na recomposição do meio-campo. O Luiz Mário não tem essa característica. É muito ofensivo. É bom para o segundo tempo – diz Oswaldo, descartando a escalação do meia vindo do Mogi Mirim.

Dos três que restaram Edu aparece como favorito. O volante é o coringa do meio-campo. Já atuou nos lugares de Vampeta, Rincón, Ricardinho e do próprio Marcelinho. Contra Edu só pesa o fato de ser canhoto.

As circunstâncias da partida favorecem a entrada de Gilmar. A vantagem obtida no primeiro jogo, somada à vantagem natural conseguida com a primeira colocação, fará com que o São Paulo vá ao ataque. Gilmar ajudaria a formar um bloco composto por ele, Vampeta e Rincón. A parede protegeria a zaga e diminuiria os espaços do ataque são-paulino. Além disso, a presença do Fubá daria mais liberdade aos avanços de Vampeta e Rincón. O problema é que com Gilmar cai a qualidade de saída de bola. O volante sente também a falta de ritmo de jogo.

Marcos Senna é o último dos candidatos. Tanto pode jogar como volante e liberar Vampeta para atacar ou atuar mais adiantado, na mesma faixa de Marcelinho. A exemplo de Gilmar, Senna há muito não começa uma partida jogando.

Edu

"Rendo mais jogando pela esquerda, como segundo volante"

Gilmar

"O time ia ficar mais pegador. A minha entrada liberaria o Vampeta e o Rincón para atacar"

Luiz Mário

"Gosto de jogar bem adiantado, caindo nas costas dos laterais"

Pé-de-Anjo treina leve

Basta relembrar o jogo de domingo para se ver a importância de Marcelinho.

1) Sofreu a falta que resultou no primeiro gol;

2) Deu o lançamento para Ricardinho fazer o segundo;

3) Cobrou o pênalti que se transformou em segundo gol.

Mostrou que decide mesmo, como sempre repete. O LANCE! aposta nisso e continua acompanhando o dia-a-dia de Marcelinho, mesmo com ele fora do segundo jogo.

Ontem, foi um treino leve e Marcelinho estava lá. Trabalhos físicos, corridas em volta do campo e nada mais.

Foi um dos poucos que aceitou falar sobre o jogo do Palmeiras.

– O Manchester jogou bem, o Palmeiras também, mas não conseguiu marcar. Dessa vez, deu o futebol inglês. Tomara que a gente ganhe o Mundial de janeiro.

30/11

Dida pronto para outra

Os são-paulinos e, especialmente, o meia Raí que se preparem. São Dida, o milagreiro dos pênaltis, está confirmado para o segundo jogo do mata-mata pelas quartas-de-final do Brasileirão, no próximo domingo.
O goleirão do Corinthians sofreu um corte no joelho direito, numa dividida com Raí, depois de defender a segunda cobrança, mas o médico Joaquim Grava garantiu ontem que não aconteceu nada de grave. “Foi só um ferimento. Não tem nada de mais grave na contusão do Dida”, afirmou. Com a folga de ontem do elenco corintiano, o goleiro fez tratamento no consultório de Grava, localizado no Ibirapuera.
As duas cobranças de pênalti defendidas por São Dida foram um fato inédito para a carreira do goleiro. “Não me recordo de ter pego duas penalidades numa mesma partida. Fico muito emocionado com isso, já que ajudei o time a conseguir uma importante vitória”, comentou Dida, ainda no vestiário do Morumbi.
A fama de pegador de pênaltis, já confirmada na Seleção Brasileira, ganhou mais força no Corinthians nessa última semana. Antes das duas cobranças defendidas de Raí, Dida havia pego um pênalti cobrado pelo zagueiro Marcelo Souza, no empate com o Guarani. Ainda na primeira fase do Campeonato Brasileiro, o goleiro também meteu medo. No jogo contra o Atlético Paranaense, em Curitiba, o lateral-direito Luizinho Neto viu Dida crescer e bateu uma penalidade para fora. O aproveitamento do goleiro no Timão é de 50 %, em oito cobranças.
A fama na Seleção Brasileira é comprovada com o aproveitamento perfeito em pênaltis nessa temporada. Em quatro cobranças, Dida defendeu todas. Azar das seleções da Argentina e Chile (Copa América, no Paraguai), Estados Unidos (Copa das Confederações, no México) e Holanda (amistoso realizado no Amsterdã Arena, em outubro).

Perigo dos cartões ameaça seis jogadores

O Corinthians tem mais um adversário no confronto contra o São Paulo, pelas quartas-de-final do Brasileirão: os pendurados com quatro cartões amarelos. O Timão está com seis jogadores nesse situação (Rincón, Dida, Kléber, Edílson, Edu e João Carlos).
Para o segundo jogo do mata-mata, o Timão já perdeu o meia Marcelinho. O treinador Oswaldo de Oliveira está temeroso com esse problema, mas não pensa em poupar ninguém. “Isso não passa pela minha cabeça em hipótese nenhuma. Não dá para tirar ninguém por causa disso”, disse.
Rincón, que recebeu o quarto amarelo em uma discussão com o árbitro Edílson Pereira de Carvalho depois do segundo pênalti defendido por Dida, já afirmou que não se preocupará com o problema. “Não vou tirar o pé porque estou com quatro amarelos”, garantiu.
Flamengo - O meia colombiano está sendo sondado para tranferir-se para o Flamengo na próxima temporada. O presidente do clube carioca, Edmundo Santos Silva, declarou que Rincón se encaixa perfeitamente no estilo de jogo da equipe, baseado na garra e determinação dos jogadores.

Segundo jogo será mesmo no Morumbi

O segundo e terceiro jogos entre Corinthians e São Paulo, pelas quartas-de-final do Brasileirão, estão mesmo confirmados para o Morumbi. A Polícia Militar vetou o Pacaembu por questões de segurança e a CBF confirmou ontem o estádio do São Paulo como palco para as partidas de domingo e quarta-feira que vem, esta se o Timão não vencer o segundo confronto. Caso haja um empate no domingo, o Timão poderá perder por até um gol de diferença no terceiro jogo.
Preocupado em preparar o time da melhor maneira possível para o segundo confronto contra o Tricolor, o técnico corintiano resolveu mandar os jogadores para o interior paulista. “Deveremos viajar na quarta-feira (amanhã) para algum lugar, que ainda não está definido. Será muito bom para a equipe”, afirmou. Os prováveis locais de concentração são Atibaia e Bragança Paulista.
Oswaldo de Oliveira também não sabe quem colocar no lugar de Marcelinho, que recebeu o quinto cartão amarelo. “Vou pensar direito nesse assunto. Tenho até o domingo para resolver isso”, despistou o técnico corintiano.


Preparador rasga elogios ao goleirão

O preparador de goleiros do Corinthians, Paulo César Gusmão, é só elogios para São Dida, depois da atuação do goleiro na vitória sobre o São Paulo, no domingo passado, no Morumbi. “O segredo de tudo é muito, mas muito treinamento. Ele treina com muita perseverança e o resultado disso tudo é mostrado nas partidas”, disse Gusmão.
Dida é treinado por PC no Corinthians e na Seleção Brasileira. “Não importa se é em um ou outro clube. Ou então na Seleção. O Dida é um profissional brilhante, que se dedica em tudo que faz”, comentou o preparador de goleiros.
Paulo César Gusmão ressalta que o porte físico de Dida facilita a defesa nas cobranças de pênaltis. “As suas qualidades físicas ajudam muito nessas horas. Ele é um grande goleiro em todos os sentidos. Um gigante na definição da palavra”, brincou.
O preparador de goleiros conta que o Corinthians está bem servido de goleiros nessa temporada. “Ainda temos o Maurício, que tem entrado bem nos jogos em que o Dida está fora, o Renato, chamado recentemente para a Seleção Brasileira Pré-olímpica, e o Yamada. É uma boa equipe de goleiros, que dão o máximo nos treinamentos”, concluiu Paulo César Gusmão.

29/11

Corinthians 3 X 2 São Paulo

LOCAL: Morumbi
São Paulo (SP)
ÁRBITRO: Edilson Pereira de Carvalho (SP)
ASSISTENTES: Válter J. Reis (SP) e Francisco Rubens Feitosa (SP)

OCORRÊNCIAS:

1º TEMPO

2º TEMPO

18h32 - Começa o primeiro confronto entre São Paulo e Corinthians.
5 min - Equipes tentam arrancadas com Raí e Marcelinho, pelo São Paulo, e Marcelinho Carioca e Edílson pelo Corinthians. As defesas estão predominando.
11 min - São Paulo está melhor, mas Nem entrega a bola para Marcelinho que lança Edilson impedido na cara do gol.
18 min - Depois de levar um aperto do Corinthians, o Tricolor desceu com tudo França e Marcelinho. Vampeta salvou o alvi-negro chutando para fora.
20 min - Partida continua bastante corrida. Depois de sucessivas pequenas chances de ambos os lados, Raí e Fabiano tabelaram e em seguida botaram França cara a cara com Dida. Timão levou a melhor.
23 min -
ball.gif (441 bytes) GOOOOLLLL!!!!!!!!! - Na cobrança de bola parada de Ricardinho, a bola bateu em Wilson e Nene, caído, chutou no fundo do gol de Rogério.
24 min -  Time do São Paulo tenta responder ao gol e bota Timão no sufoco.
27 min -
ball.gif (441 bytes) GOOOOLLLL!!!!!!!!! - Chegou a hora do Tricolor. Raí solta um rojão de fora da área e Dida não acha nada.
34 min -
ball.gif (441 bytes) GOOOOLLLL!!!!!!!!! - Morumbi ferve. Ricardinho, também de fora da área, bota o Timão denovo na frente.
37 min -
ball.gif (441 bytes) GOOOOLLLL!!!!!!!!!  - O equilíbrio entre as duas equipes continua. Na bola alçada na área, Edmilson voa e cabeceia no centro do gol.
43 min - Continua a correria. Raí e Ricardinho são os destaques do jogo.
45 min - Fim do primeiro tempo. Corinthians e São Paulo fazem uma semifinal de grande qualidade. Raí, o tormento do Timão, é o maior destaque do jogo.
Intervalo: substs.gif (94 bytes) São Paulo: sai França e entra Souza
17h40 - Começa o segundo tempo
8min -  Edilson entra na área e é derrubado pelo zagueiro são-paulino. O juiz aponta a cal: pênalti para o Timão
9 min -
ball.gif (441 bytes) GOOOOLLLL!!!!!!!!! - Marcelinho bate com categoria no canto direito de Rogério
10min - Luisão quase marca o seu, mas Rogério faz boa defesa
12min - Por pouco não sai o quarto do Timão. Luisão chuta de fora da área, a bola espirra na defesa e Rogério tem que se esticar para colocar a bola pela linha de fundo
13min - Ricardinho faz grande jogada e chuta para mais uma boa defesa de Rogério
15min - Milagre de Dida numa bomba de Paulão
16min - Pênalti para o São Paulo. Nenê corta um cruzamento de Fabiano com a mão e o juizão aponta a pelalidade
17min - Dida mostra porque é o goleiro da seleção, defendendo o pênalti cobrado por Raí no canto esquerdo
20min - Índio cruza e Marcelinho cabeceia para fora
21min - Bate-rebate na área do Timão e Márcio Costa tira a bola em cima da linha
28min 
substs.gif (94 bytes) São Paulo: sai Fabiano e entra Jackson
33min - O São Paulo pressiona, mas o Timão é perigoso nos contra-ataques
34min - yells.gif (94 bytes)Luisão (Corinthians): falta violenta
35min - Rogério faz um milagre, defendendo com os pés um chute de Cléber
36min - Outro milagre de Rogério, desta vez num chute de Marcelinho, aproveitando a bobeada da zagua tricolor
39min - Edilson fuzila mas novamente Rogério pega com os pés
39min - yells.gif (94 bytes)Marcelinho (Corinthians): falta violenta. É o quinto cartão do jogador, que não pega o São Paulo na próxima semana
40min - Marcelinho manda um tijolo, mas Dida rebate para dentro da área
42min 
substs.gif (94 bytes) São Paulo: sai Nem e entra Carlos Miguel
43min - O goleiro Rogério cobra falta e a bola sai tirando tinta da trave esquerda do Corinthians
44min 
substs.gif (94 bytes) Corinthians: sai Luisão e entra Dinei
45min - Carlos Miguel entra na área e é tocado por Cléber. Mais um pênalti contra o Timão
47min - Incrível!!!! Dida pega novamente o pênalti cobrado por Raí, desta vez no canto direito. Foi o terceiro penal consecutivo defendido por Dida nestes playoffs
49min - O goleirão Dida está contundido, pois na sequência do lance ele foi atingido por Raí
52min 
substs.gif (94 bytes) Corinthians: sai Dida e entra Maurício
53min - No recomeço do jogo, Dinei faz grande jogada e toca para Edilson, que é derrubado na área,  mas desta vez o juiz não dá o pênalti
54min - Maurício faz um milagre, colocando para fora de mão trocada um chute de Souza
55min 
substs.gif (94 bytes) Corinthians: sai Ricardinho e entra Edu
57min - Final de jogo, o Timão consegue uma grande vitória na semifinal. O Tricolor não pode perder o próximo jogo se quiser continuar vivo no campeonato

ESCALAÇÃO DAS EQUIPES

SÃO PAULO:  Rogério Ceni; Paulão, Nem (Carlos Miguel) e Wilson; Edmilson, Jorginho, Fabiano (Jackson), Raí e Fábio Aurélio; França (Souza) e Marcelinho. Técnico: Paulo César Carpegiani
CORINTHIANS: Dida (Maurício); Índio, Márcio Costa, Nenê e Kléber; Vampeta, Rincón, Marcelinho e Ricardinho (Edu); Edílson e Luisão (Dinei). Técnico: Oswaldo de Oliveira

28/11

Mudança de estilo?

Não há frase que corintiano goste mais de dizer do que a batida "para nós, tudo é muito mais difícil", referindo–se às dificuldades que encontra nas vitórias, sempre superadas com muita raça.

Desde o ano passado, as coisas estão mudando. O Corinthians liderou quase todo o campeonato. Este ano não teve quase. O Timão foi líder desde a primeira rodada. E, por incrível que pareça, o novo estilo, sem sustos está trazendo mais preocupação do que alegria a muitos torcedores.

Para eles, a raça parece ter mudado de lado. O Corinthians tem jogado de forma pragmática, na conta do chá, sabendo que pode ganhar a hora que quiser.

A série contra o Guarani foi assim. O Timão foi a Campinas lutando para não perder a vantagem de jogar por três empates. O bom futebol era desnecessário. Conseguiu o empate e ninguém pôde reclamar de falta de raça. No segundo jogo, uma vitória, novamente sem jogar bem e, na quarta-feira, o jogo que deixou os torcedores de cabelo em pé. O Corinthians podia perder por 2 a 0 e fez o possível para colaborar com o Guarani, jogando de forma apática e com muitos erros.

Foi o suficiente para que Rincón, o capitão, pusesse a boca no trombone. Avisou que se continuar jogando assim, nem haverá terceiro jogo contra o São Paulo.

– Eles ganham os dois primeiros e eliminam a gente.

Além disso, jogador corintiano tem sido visto mais em programas de televisão do que treinando. Revoltados, fizeram pequena greve contra jornalistas. O suficiente para consolidar-se a suspeita de que o Timão está diferente, mais para playboy do que para mano.

Os cuidados de Edílson na decisão

O Capeta quer pôr fogo na decisão, mas terá que tomar cuidado para não causar incêndio igual ao que criou na final do Paulistão desse ano. E está consciente disso. Pendurado com quatro cartões amarelos, tem mais um motivo para ficar ligado.

– É claro que isso me deixa preocupado. Nós procuramos jogar com mais cuidado. Sei que tomar o cartão por causa de alguma falta violenta é difícil, já que esse não é o meu estilo. O que vou ter mesmo que fazer é evitar as reclamações.

E isso não iria contra a Raça Corintiana?

- Nesses momentos é que o talento tem que aparecer. O São Paulo se classificou com méritos, mas também vamos mostrar empenho.

Tranqüilo, como todo o elenco do Timão, ontem, na bela manhã de sol da capital, Edílson foi um dos últimos deixar o campo. Concedeu entrevistas e atendeu a pedidos de fotógrafos. Ao fazer fotos dentro das redes do Pacaembu, chiou:

– Ôpa! O Vampeta é que tirou umas fotos assim para aquela revista. Só que com menos roupa.

Depois fez pose durante embaixadinhas, mas recusou-se a parar a bola na cabeça.

– Vocês estão querendo arranjar rolo prá mim - disse.

O Capeta está esperto.

Pé confia na mística

A esperança da Nação Alvinegra, o Pé-de-Anjo Marcelinho, parece acostumado às decisões. Demonstrando tranqüilidade e alegria durante os treinos que antecederam à primeira partida decisiva contra o São Paulo, conversou com os companheiros, treinou cobranças de falta e de pênalti, atendeu a torcedores e jornalistas e ainda encontrou tempo para desfrutar da companhia da família. Mas toda a segurança exibida pelo craque não significa que ele está indiferente ao clima de decisão.

- Adoro decisão. Adoro esse clima. É sempre bom chegar em uma final, ainda mais em um clássico contra o São Paulo.

E Marcelinho não gosta das comparações entre os dois times.

- Quem tem a raça somos nós. Faz parte da tradição corintiana. É a mística da nossa camisa. O São Paulo tem méritos, mas os papéis não estão invertidos, não - rebate.

E o técnico Oswaldo Oliveira sabe bem da importância do jogador. No último treino antes do jogo, ele parava o coletivo para ensaiar as cobranças de escanteio e as saídas para o contra-ataque, puxadas pelo meia, dando-lhe orientações específicas.

Contra as críticas de que o time estaria apático nos últimos jogos, Marcelinho prefere que a resposta sai no gramado:

- Tínhamos a vantagem contra o Guarani. O segundo jogo foi muito bom. Não é que achemos que podemos decidir quando quisermos, mas sabemos bem o que tem que ser feito para conseguirmos o resultado. Vamos buscar a vitória. O primeiro jogo é decisivo.

Fantasma do cartão assusta pendurados

Não bastasse a preocupação em enfrentar um rival que está embalado no Campeonato Brasileiro, o Corinthians tem que lidar, no mata-mata com o São Paulo, com fantasma do cartão.
Marcelinho, Edílson e Dida estão pendurados com o quatro cartões amarelos e não podem mais bobear na competição, sob pena de desfalcar a equipe neste momento decisivo. O meia Edu, que ficará na reserva, e o zagueiro João Carlos, contundido, também estão ameaçados.
“Eles não podem ficar pensando nisso nessa fase do campeonato. Nem me passa pela cabeça este tipo de coisa e eu não vou poupar um jogador por esse motivo”, comentou o técnico Oswaldo de Oliveira.
O fantasma segue os passos e também poderá atingir o meia colombiano Freddy Rincón, considerado de extrema importância para o esquema do Timão, que tem três cartões amarelos acumulados. “Pode ter certeza de que eu não vou tirar o pé por causa disso”, assegurou o jogador.

Jogão faz Morumbi tremer

Um clássico para reviver os grandes momentos do futebol brasileiro e tremer o Morumbi. São Paulo e Corinthians se enfrentam hoje, às 18h30, pela semifinal do Brasileirão, num espetáculo que receberá cerca de 60 mil pessoas, fato raro nos últimos anos em São Paulo.
A torcida, que invadiu as bilheterias nos últimos dias para brigar por um ingresso, não quer saber das confusões no tapetão nem de problemas judiciais que marcaram o Campeonato Brasileiro. O que interessa para o povo é vibrar com craques como Marcelinho Carioca, Edílson, Luizão, Raí, Marcelinho Paraíba e França dando show dentro de campo.
Mais do que a rivalidade e o desfile de grandes jogadores, o clássico entre São Paulo e Corinthians reserva ingredientes de sobra. O primeiro é o duelo do goleiro são-paulino Rogério Ceni com o meia corintiano Marcelinho, exímios cobradores de falta. O segundo é que o vencedor dessa disputa já assegura uma vaga na Libertadores da América do ano 2000. O Timão joga por três empates, pois fez melhor campanha na primeira fase da competição.
Outro duelo que promete é fora de campo. O técnico Paulo César Carpegiani ainda tenta salvar o ano e sua vida no Tricolor após perder todos os títulos que disputou. Oswaldo de Oliveira tem crédito por ganhar o Paulistão, mas ainda não convenceu os torcedores, que o criticaram bastante durante o Brasileirão.
Curiosamente, os dois adotam a mesma tática na reta final: esconder o time titular. “Todos saberão a equipe na hora em que entrarmos em campo”, diz Carpegiani.
Mesmo sem definir os titulares, ele deu a pista de quem jogará nos últimos coletivos. Fabiano deve entrar no lugar de Vágner, que está suspenso. Paulão pode ser a grande surpresa na defesa. Assim, o treinador utilizará mais uma vez o medroso esquema 3-5-2. França retorna ao ataque tricolor.
Do lado corintiano, Oswaldo também faz mistério e não define quem vai jogar nas laterais. Índio e Kléber treinaram jogadas de ataque entre os titulares durante a semana e têm mais chances de começar jogando. “Só vou decidir no vestiário”, despista o treinador.

27/11

‘Eu parei o Serginho’

Oswaldo faz mistério. Até agora não disse quem joga na lateral direita. Índio e César Prates concorrem à vaga. Índio leva vantagem. Marca melhor que César Prates. O quesito é indispensável quando se sabe que Marcelinho joga por aquele setor.

Mas o fato de ter que marcar o atacante 100% Paraíba não parece preocupá-lo.

– Se deu para marcar o Serginho vai dar para marcar o Marcelinho – diz o otimista Índio, ao se lembrar dos duelos com o ex-lateral são-paulino, hoje no Milan, na semifinal do último Paulistão.

Quando se ouve tal afirmação, a impressão que se tem é que Índio é um daqueles boleiros mascarados. Mas quem o conhece sabe que não há um pingo de arrogância na frase. Índio é assim mesmo. Sem maldade, fala o que dá na telha. Na verdade, às vezes nem pensa nas conseqüências daquilo que diz.

Mas dessa vez até que Índio tem razão. "Tinha a missão espinhosa de segurar Serginho e foi bem. Ainda teve tempo para apoiar, sempre levando perigo. Nota 6". Essa foi a avaliação de Índio feita pelo LANCE! no primeiro jogo das semifinais. O Timão venceu o Tricolor por 4 a 0. Ali garantiu a vaga na final contra o Palmeiras.

Índio chegou à óbvia conclusão que Serginho e Marcelinho são muito diferentes. Por isso, a marcação não pode ser igual.

– O Serginho é muito rápido. Eu e o Vampeta não demos espaço para ele. Se ele ganha velocidade é muito difícil segurá-lo – analisa.

Marcelinho perde feio para Serginho na corrida. O que não tem de velocidade compensa em precisão de chute. Essa é a maior preocupação de Índio. Os chutes de Marcelinho viraram o primeiro jogo das semifinais contra a Ponte Preta.

Cometer o mesmo erro pode custar caro ao time que liderou sossegadamente todo o Brasileirão. Todo o veneno tem o seu antídoto. Índio diz que sabe qual é.

– Não pode deixar ele girar e sair com a bola dominada. Tem que tentar antecipar a jogada. Chegando antes dele fica difícil para ele dominar e chutar. O negócio é marcar duro – diz Índio, cheio de confiança.

Um treino duro contra o 3-5-2

O Corinthians treinou bastante forte para enfrentar o esquema de três zagueiros que o São Paulo deve usar no jogo de amanhã.

O antídoto é baseado em muita movimentação e conta com participação especial do atacante Luizão.

Cabe a ele jogar bem perto do líbero e caminhar em direção contrária ao gol do São Paulo. Assim, atrairá o marcador, criando um buraco a ser preenchido com a presença de Marcelinho e Edílson.

No treino de ontem, as jogadas começavam sempre com Rincón no meio campo. Era passe para Ricardinho, daí para Marcelinho, daí para Edílson etc. Terminava com chute a gol, mas nunca com menos de 15 toques. É paciência em busca de espaços.

Oswaldo e os zagueiros estão dando especial atenção a bola alta são-paulina. Enquanto o ataque buscava soluções para fugir dos três zagueiros tricolores os zagueiros e laterais treinavam para anular o jogo aéreo.

– A bola alta tem sido um ponto forte do São Paulo. Precisamos neutralizá-la – diz Oswaldo de Oliveira.

O Corinthians tem tido repetidas falhas na bola alta. O São Paulo marcou dez gols de cabeça neste Brasileiro. O curioso é que a maior preocupação é com Raí, que até agora não fez nenhum de cabeça.

– Ele é muito alto e forte. É difícil marcá-lo – conta Nenê.

26/11

Trabalho duro

Valdir de Moraes já foi preparador de goleiros do São Paulo e Palmeiras. Em ambos, teve muitas vezes de preparar seus goleiros para enfrentar Marcelinho e suas cobranças de falta. Trabalho duro.

– Estou no futebol há muito tempo e enfrentei muitos cobradores de falta. Poucos são como o Marcelinho. É muito habilidoso – diz, com a certeza que Rojas e Rogério estarão treinando duro para o jogo de domingo.

Valdir lembra que Marcelinho tem um poder de adaptação muito grande às dificuldades que os goleiros preparam contra ele.

– Eu treinava o Velloso e disse para ele tirar a barreira contra o Marcelinho. A bola foi para fora. No jogo seguinte, repetimos a tática e ele fez gol. Quando tem barreira, ele a utiliza como referência. Quando não tem, ele acerta um chute forte. Ele está em um nível pouco igualado, está acima do Marcelinho do São Paulo, sem dúvida.

Para Rincón, o modo como Marcelinho pega na bola é inigualável.

– Ele tem um dom e cuida muito dele, treinando sempre. Para nós, é importante ter essa arma a nosso favor.

E Marcelinho está pronto para corresponder a tanta confiança.

– Agora é como final. Um clássico, ainda por cima. O tipo de jogo que eu gosto. Estou me concentrando muito, para não falhar em nenhum detalhe.

Isso inclui atenção máxima para não levar o quinto cartão amarelo.

– Vou ficar falando para mim mesmo que não devo reclamar de juiz e nem abrir a boca. Não quero ficar de fora.

Marcelinho espera um jogo duro, com muitas faltas e com muitas chances de gol em jogadas de bola parada.

– Vão aparecer boas chances. Tanto para mim como para o Marcelinho do São Paulo. Ele bate bem. Bate forte, mas contra a Ponte, ele fez um gol só colocando a bola.

Outra característica do jogo, para ele, será a busca incessante do gol.

– Nem nós e nem eles sabemos jogar na retranca. Vai ser um jogaço.

Vaga na hora certa

Márcio Costa foi apresentado numa terça-feira, 28 de julho de 98. Era uma tarde estranha. Fazia sol e frio ao mesmo tempo no CT de Itaquera. Enquanto o zagueiro era apresentado, o time fazia o último treino antes da viagem ao Paraguai, onde dois dias depois o Timão jogaria com o Olímpia, pela Mercosul.

Wanderley Luxemburgo, que o indicou e o conhecia desde os tempos em que treinava a Ponte Preta, em 91, o trouxe para compor o grupo. É o tipo de definição que qualquer jogador que se preza odeia. Mas é isso que ele faz até hoje. Domingo, terá a chance que pediu a Deus. João Carlos está machucado. É a brecha que Márcio Costa esperava para mudar o maçante destino.

– Será meu jogo mais importante com a camisa do Corinthians – resumia Márcio Costa, ainda nos vestiários do Morumbi onde o Corinthians fez o suficiente para vencer o Bugre.

Até Gamarra deixar o Parque São Jorge, Márcio Costa teve poucas chances de mostrar que não era um cara para compor o grupo. Quando imaginava que poderia pintar uma boca, a diretoria anunciou a contratação de João Carlos. Era quase o fim para o zagueiro que vivia sendo confundido com Nenê na rua.

Por uma daquelas ironias, as oportunidades apareceram justamente com a vinda de João. As convocações e a fratura no dedinho do pé deixaram o zagueiro um tempão fora. Márcio até que não comprometeu. Houve partidas em que se saiu melhor que o titular Nenê. Aí veio o jogo contra o Atlético-MG.

O Timão foi goleado no Maracanã. Além das falhas, Márcio criticou César Prates. Disse que o lateral não o ouvia e não cuidava da marcação. No jogo seguinte João Carlos voltou. Não saiu mais. Márcio Costa foi para o banco, onde desde que chegou teve vaga garantida.

Márcio pode até não jogar muito. Mas é um dos mais queridos do grupo. O "Peixe", apelido que ganhou do amigo Romário nos tempos de Flamengo, está sempre rindo e brincando. Roupeiros, massagistas e porteiros o adoram.

‘Eu não vou tirar o pé’

Um homem do tamanho de Rincón já é suficiente para assustar a muita gente. Ainda mais quando anuncia que não vai amaciar para ninguém. Essa foi a resposta do líder natural do elenco corintiano quando perguntado se estaria preocupado com os quatro cartões amarelos que o deixam pendurado.

– Não dá para ficar se preocupando com isso em decisão. É lógico que a gente evita tomar o cartão por bobeira, mas eu é que não vou tirar o pé de dividida – disse o volante.

Calmo, consciente de seu papel perante o elenco e a torcida, ele explicou como isso acontece:

– Sou assim, é natural. Não procuro forçar nada. É algo da minha personalidade. É porque eu não gosto de perder, nunca.

Rincón aproveitou também para, mais uma vez, demonstrar sua insatisfação com a atuação da equipe na partida de anteontem.

– Vamos ser eliminados no segundo jogo se fizermos o mesmo contra o São Paulo. Erramos muitos passes, a marcação estava ruim e o posicionamento errado. Eu muitas vezes tive dificuldade para pegar o Marcinho, que é um jogador muito rápido e habilidoso, e acabava chegando atrasado – admitiu.

O colombiano acredita ser este o momento para retomar o bom futebol que o Corinthians vinha apresentando no começo do Campeonato Brasileiro.

– É difícil estar bem o tempo todo. Ficamos na frente e acabamos nos acomodando, é natural. Mas agora, nas finais é o momento de mostrarmos a nossa força. Fazer um clássico contra o São Paulo é uma ótima oportunidade para retomarmos aquele bom futebol das primeiras rodadas.

25/11

Corinthians 1 X 1 Guarani

LOCAL: Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi)
São Paulo (SP)
ÁRBITRO: Romildo Correa (SP)
ASSISTENTES: Márcio Luiz Augusto (SP) e Valdeci Justiça (SP)

OCORRÊNCIAS:

1º TEMPO

2º TEMPO

21h44 - Começa o duelo. Só uma vitória por três gols de diferença dá vitória para o Bugre
2min - Bela tabela entre Ricardinho e Luizão. O atacante mata na coxa e chuta com o pé esquerdo. A bola bate na trave e sai.....
5min - Rincón recebe na meia-lua e Gléguer espalma em defesa espetacular
5min - Blitz do Timão. Marcelinho cruza e Marinho tira na hora H
9min - Luciano tenta cruzamento, mas Kléber desvia para escanteio
10min - Vampeta tenta passe para Edílson, que está sozinho, mas Marcelo Souza corta
16min - Rubens Cardoso arrisca e acerta a Fiel na arquibancada
20min - Jogo truncado no meio-campo para felicidade do Timão, que ainda comemora vitória da Ponte em Campinas
21min - Gílson Batata faz corta-luz para Valdir, que novamente acerta a Fiel
22min - Tabela envolvente entre Vampeta e Luizão. O volante se empolga na lateral e tenta o gol, mas Gléguer pega fácil
24min - Kléber toca, Marcelinho domina e cruza na cabeça de Luizão, que acerta a rede do lado de fora
27min - Dida faz defesa em chute de fora da área, mas quase solta nos pés de Gílson Batata
29min - ball.gif (441 bytes) GOOOOOOL!!! Marcinho domina a bola na esquerda, finta a zaga e chuta no ângulo de Dida. Um golaço do Bugre
30min - Guarani vem com tudo e Dida faz milagre. Ele pegou um lindo chute de Renatinho, que recebeu livre
31min - Kléber tira em cima com Dida fazendo outra grande defesa, em chute de Gílson Batata
35min - Marcelinho arrisca e Gléguer espalma
36min - Edílson faz firula na frente de Luciano, que desarma o Capetinha
38min -yells.gif (94 bytes)Corinthians: Rincón - falta desnecessária
39min - Pênalti para o Bugre. Gílson Batata cai em lance com Márcio Costa. O juiz marcou empurrão do zagueiro do Corinthians
40min - Dida pega mais um pênalti. Marcinho cobrou no canto direito e o goleirão do Timão impediu o segundo do Bugre
42min -yells.gif (94 bytes)Guarani: Renatinho - falta em Vampeta
45min - Juiz dá dois minutos de acréscimo
46min - Edílson arrisca da grande área, Gléguer pega e deixa a bola escapar. Quase o gol do Bugre engole um frango
22h31 - Acaba o primeiro tempo. O Timão jogou muito atrás, não fez nada depois dos primeiros 15 minutos e mereceu perder. O Bugre só não saiu com uma vantagem maior, graças a Dida
22h47 - Começa a etapa final. Times voltam sem alterações e Bugre tem 45 minutos para marcar mais dois
5min - Índio cruza, mas ninguém alcança a bola
6min - Edílson tenta alcançar bola, mas cai na placa de publicidade
7min - Vampeta domina e sofre a falta. A infração é perigosa, com a bola um pouco atrás da meia-lua
8min - Ricardinho bate e a bola sai pela linha de fundo
9min - Só dá Timão. Vampeta toca e Marcelinho chuta, a bola desvia em Edu Dracena e quase mata o goleiro Gléguer. A bola saiu pela linha de fundo
14min - Sem emoções, a galera da Fiel canta PONTE !! PONTE !!!
16min - Luizão e Vampeta tocam rápido. O volante alvinegro se mete no meio da zaga e Gléguer fecha o ângulo, conseguindo espalmar
17min - Luciano cruza e Gílson Batata dá um toquinho, mas Márcio Costa tira de bico
18min - Lance grotesco. Edílson finta Gléguer e fica com o gol vazio, mas o Capetinha consegue chutar para fora. Chance incrível desperdiçada pelo atacante
19min - Índio cruza da direita e Luizão cabeceia para fora
20min - Renatinho tenta de fora da área e Dida pega fácil
2
1min - ball.gif (441 bytes) GOOOOOOL!!! Cruzamento da direita. A bola passa por Gléguer, que falha, e bate na perna de Luizão, que anota seu 18º gol no Brasileirão
24min - Marcelinho dá no meio das pernas de Marinho e zaga do Bugre tira de qualquer forma
25min -yells.gif (94 bytes)Guarani: Luciano Baiano - falta violenta em Rincón
26min -
substs.gif (94 bytes) (Guarani) Sai: Valdir Souza;  Entra: Luiz Fernando
30min -
substs.gif (94 bytes) (Guarani) Sai: Edu Dracena;  Entra: Ramos
34min -
substs.gif (94 bytes) (Corinthians) Sai: Ricardinho;  Entra: Edu
36min - Timão está segurando a vantagem e está tocando a bola no meio-campo
38min - Gílson Batata tenta o gol, mas Kléber afasta
38min -
substs.gif (94 bytes) (Corinthians) Sai: Luizão;  Entra: Dinei
40min -yells.gif (94 bytes)Corinthians: Marcelinho - falta violenta em Ramos
40min -
substs.gif (94 bytes) (Corinthians) Sai: Vampeta;  Entra: Gilmar
40min -
substs.gif (94 bytes) (Guarani) Sai: Gílson Batata;  Entra: Rodrigo Jaú
41min - Edílson vem pela direita e Dinei recebe, mas é desarmado por beque do Bugre
43min - Guarani tenta no desespero com Renatinho, mas chuta muito mal
44min - Juiz dá dois minutos de acréscimos
23h34 - Fim da participação do Bugre no Brasileirão. O jogo empatou, um placar justo, já que o Guarani foi melhor no primeiro tempo e o Corinthians no segundo. Agora, o Timão pega o São Paulo nas semifinais

ESCALAÇÃO DAS EQUIPES

CORINTHIANS: Dida; Índio, Márcio Costa, Nenê e Kléber; Vampeta (Gilmar), Rincón, Ricardinho (Edu) e Marcelinho; Edílson e Luizão (Dinei). Técnico: Oswaldo de Oliveira
GUARANI: Gléguer; Marinho, Edu Dracena (Ramos) e Marcelo Souza; Luciano Baiano, Valdir Souza (Luiz Fernando), Renatinho, Silvinho e Rubens Cardoso; Gílson Batata (Rodrigo Jaú) e Marcinho. Técnico: Carlos Alberto Silva

24/11

Fim da greve

Nem que a vaca tussa. Nem que o boi voe. Nem que chova canivetes. Nem que nasça pelo em ovo. Pode escolher a expressão popular que melhor expresse o tamanho da dureza que o Guarani enfrenta hoje à noite. Tem de vencer o Corinthians por diferença de três gols no Pacaembu para chegar à semifinal do Brasileiro.

O favoritismo é todo do Corinthians, apesar de negado por Oswaldo e seus mudinhos, que ontem resolveram voltar a falar com a imprensa.

– Nós vamos jogar como sempre jogamos. Buscando a vitória e não acho que o jogo esteja resolvido. O Guarani é um grande time e não chegou aqui sem merecer – diz Oswaldo, que, foi o responsável pelo fim da greve dos jogadores contra a imprensa.

O fim do movimento foi uma derrota para Edílson e Vampeta, seus organizadores. Ontem, continuaram não falando. Vampeta saiu sem falar nada e Edílson, arrumou uma desculpa.

– Estou atrasado, não posso falar.

Oswaldo entrou no circuito e terminou com a greve ao perceber que o movimento não era mais coeso.

– Já havia jogadores querendo falar e esse movimento não nos interessava mais. Iria trazer problemas.

Problemas que não deverão atrapalhar a vitória contra o Guarani, mas que, talvez seja um complicador para outras etapas do campeonato. Afinal, a tão chamada e propagada união de grupo era frágil.

Problema imediato é a ausência de João Carlos, contundido na coxa direita no rachão de ontem. Dá lugar a Márcio Costa, o que pode ocasionar a volta de Índio. Contra o Atlético, Márcio Costa e César Prates não se entenderam e o time levou quatro. Luizão deve continuar fora, com a manutenção de Fernando Baiano. O marqueteiro Dinei fica no banco.

– Foi bom acabar a greve. Eu adoro falar – afirmou.

Não haverá transmissão do jogo pela televisão

Sete dólares de ouro

Se você tem apenas sete dólares e muita vontade de entrar no ramo do futebol, já sabe o que fazer. Procure Marcelinho Carioca e compre o passe de Matheus, seu filho de um ano e dez meses.

– O preço está fixado. Já tem empresário me procurando, mas ainda não chegaram no que eu peço. O garoto vai ser bom mesmo – diz o pai-empresário, que não se cansava de bajular Matheus e Marcella, sua irmã gêmea, durante o treino.

– Fico muito tempo concentrado e trouxe os garotos para brincar um pouco comigo – explicava Marcelinho, entre um "aviãozinho" e outro de iogurte.

Lucas, o filho mais velho, não foi ao treino. Estava na escola.

– Ficou comigo na concentração. Esse é mais caro, o passe está fixado em 14 dólares.

Foi nesse clima familiara que Marcelinho voltou a falar com jornalistas.

– Acho que as perguntas feitas pelos jornalistas deveriam se limitar ao que fazemos dentro de campo e não fora dele – afirmou, esquecendo-se que mandou convite a todos os jornais para que cobrissem a estréia de sua banda Divina Inspiração.

Ele repetiu também que o Guarani merece todo o respeito, e apostou no contra-ataque como arma mortal mais uma vez a favor do Corinthians.

– É o jeito que preferimos jogar. Acho que eles vão atacar bastante e darão espaço para nosso time. Estamos muito concentrados para o jogo. Mais do que se tivéssemos que vencer. Não vamos dar mole.

Padre fanático é talismã da Fiel

Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar. O refrão da música de Gilberto Gil é o lema do Timão na terceira e última partida das quartas-de-finais contra o Guarani, às 21h40, no Morumbi. Abençoado por um padre mais que fanático, o time tenta selar a classificação e joga com a vantagem de poder perder até por dois gols de diferença.
Quem disse um dia que o Corinthians é mais que um time, é uma religião, nunca imaginou que alguém levaria isso tão a sério. O padre Milton Santos, 53 anos, diretor do Colégio Salesiano Santa Terezinha, em São Paulo, é o maior exemplo de que o dito popular virou verdade absoluta. “Tenho até me empenhado para converter outras pessoas”, comenta, bem-humorado.
Seria o padre um fanático? “Já passei desse estágio. Agora, sou devoto. Mais um passo e serei doente”, responde de imediato, sem titubear.
Entre o crucifixo e as imagens de São Dom Bosco, criador da ordem salesiana, misturam-se bandeiras, pratos, chaveiros, toalhas e camisas, tudo com o símbolo do Timão. “Em véspera de jogo, como hoje (ontem), fico em vigília. Coloco tudo que tenho do time à mostra”, orgulha-se, exibindo até um lençol alvinegro.
Tamanha paixão se transformou também numa forma de aproximar o diretor dos alunos. “Eles tiram sarro quando o Corinthians perde e eu dou o troco quando ganha. Desfilo com a camisa no intervalo.”
Exibe ainda um relógio com o rosto de Marcelinho, como que numa simbiose entre o pé do anjo e o braço do santo, armas decisivas para o duelo decisivo de hoje à noite.

Paixão começou com time do 4º Centenário

A paixão de padre Milton pelo Corinthians vem de longa data. Começou no ano de ouro de 1954, quando o Timão, imbatível com Claudio, Baltazar e Luizinho, conquistou o título do 4º Centenário.
“Meu irmão Sebastião me influenciou e aquele time era inesquecível”, recorda-se.
Depois disso, mais crescido, o garoto Milton, já corintiano fanático, arriscou a sorte no futebol, antes mesmo de descobrir a vocação ao sacerdócio. “Eu era zagueiro, mas um dia, em um amistoso contra o juvenil do Corinthians, fui goleiro da Seleção de Lorena, minha cidade. O jogo estava empatado até os últimos minutos, quando rebati uma bola e o Corinthians fez o gol”, conta com a dúvida de quem não sabe se deve se sentir triste por ter prejudicado seu time ou feliz por ter colaborado com o Timão.
Como sacerdote, o tempo foi ficando cada vez mais escasso para se dedicar ao futebol. Atualmente, para ficar mais perto de seu time de coração, além de todas as demonstrações de fé no colégio, ainda tem celebrado missas dominicais no Parque São Jorge. Santa fidelidade.

23/11

Silêncio racha o Timão

O silêncio está de volta ao Timão. As entrevistas e o bate-papo descontraído do domingo, após a vitória sobre o Guarani, já fazem parte do passado. Liderados por uma minoria, os jogadores do Corinthians decidiram ontem continuar com o boicote à Imprensa, mesmo com alguns atletas deixando evidente seu descontentamento com a posição tomada.
Sentado no banco de reservas após o treino, Dinei chegou a comentar: “Estou doido para falar, mas não posso”. No domingo, um dos ídolos da torcida chegou a dizer que Edílson e Vampeta tinham convencido o grupo a manter o silêncio, mesmo contra a vontade de muitos. De acordo com esse jogador, foi feita uma votação no elenco e a proposta acabou aprovada por uma margem mínima.
A revolta dos atletas é pela publicação de algumas fotos, na semana passada, de jogadores exagerando nas noitadas. Um dos integrantes da comissão técnica comentou, pouco antes do jogo com o Guarani: “Se as fotos foram publicadas é porque eles estavam lá”.
O técnico Oswaldo de Oliveira disse que está tentando demover os jogadores da decisão, mas que prefere não falar mais sobre isso. “A decisão foi do grupo e vou respeitar”.
A mesma minoria que convenceu o grupo a adotar o boicote à Imprensa é a que, no ano passado, lutou pelo fim da caixinha (uma espécie de multa para atrasos nos treinos). Curiosamente, a caixinha não existe mais, mas os atrasos continuam. O “mudo” Edílson chegou às 16h11 ao Parque São Jorge, ontem, sendo que o treino estava marcado para as 16 horas. Ou seja, 11 minutos de atraso, mas nada de multa, já que ele mesmo foi um dos que conseguiram sepultar a punição da caixinha no Timão.

Kléber convence e ameaça Augusto

O bom desempenho do garoto Kléber na lateral esquerda na partida de domingo, no Morumbi, parece ter convencido o técnico Oswaldo de Oliveira de que Augusto vai mesmo amargar o banco de reservas por mais algum tempo, embora o treinador ainda faça mistério. “Na minha cabeça eu sei quem são os titulares, mas vamos esperar um pouco mais para falar sobre isso”, disse, referindo-se também à lateral direita, onde Índio disputa a posição com César Prates, que cumpriu suspensão no domingo e agora já está liberado para o jogo.
O treinador só se deixou trair no momento em que começou a comentar o desempenho de Kléber contra o Guarani. “Ele foi muito bem, especialmente no aspecto ofensivo”, disse, para depois entregar que o garoto deve mesmo ser o novo titular da posição. “Este menino teve um começo muito bom e depois caiu um pouco. Agora, foi bem contra o Guarani e vamos avaliar se vai conseguir manter esse ritmo”.
Já na direita, ao que tudo indica César Prates vai voltar ao time, já que o desempenho de Índio foi apenas razoável no domingo. “Ele marca muito bem, mas falta um pouco de explosão muscular na hora de tentar passar pelo adversário. Por evita a linha de fundo”, comentou Oswaldo, dando a dica de que César Prates tem retorno garantido à equipe.

Luizão agora luta contra a balança

Luizão está pronto para voltar ao Timão na partida de amanhã, no Morumbi, contra o Guarani. Sua escalação desde o início do jogo, porém, ainda é dúvida. Isso porque os 15 dias parado fizeram o jogador ganhar um quilo a mais.
“Ele está em regime alimentar para recuperar o peso, mas está à disposição do Oswaldo”, comentou o preparador físico Antonio Mello.
O técnico comemorou a boa participação de Luizão durante 40 minutos de coletivo, ontem à tarde. “Ele mostrou estar bem e será aproveitado na quarta-feira (amanhã). Vamos só avaliar se isso vai acontecer no início ou durante o jogo”, disse Oswaldo.
O treinador garantiu, no entanto, que as vaias da torcida para Fernando Baiano não vão influenciar na hora de decidir quem será o titular. “Não estou preocupado em provar nada a ninguém se resolver mantê-lo no time. O fato é que o Luizão é titular e o artilheiro. Quando estiver bem, volta.”

22/11

Corinthians vence Guarani e fica perto da vaga

O Corinthians venceu o Guarani por 2 a 0 - gols de Marcelinho e Ricardinho - na noite deste domingo, no estádio do Morumbi, no segundo jogo pelas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro. Na última e decisiva partida, na próxima quarta-feira, novamente no Morumbi, o Timão poderá perder por até dois gols de diferença que mesmo assim garantirá presença nas semifinais da competição.

Cumprindo a promessa de atacar, o Corinthians iniciou a partida saindo para o jogo, em busca do gol. Aos 6 minutos, a primeira chance: Vampeta e Marcelinho chutaram, em seqüência, no mesmo lance, e o goleiro Gléguer fez duas grandes defesas.

A partir dos 10 minutos, o Guarani, que optou pelo 4-4-2 devido a contusão inesperada do lateral-direito Everaldo, se arriscou a deixar seu campo e foi para frente, como prometera o técnico Carlos Alberto Silva. Antes do começo da partida o treinador da equipe de Campinas garantiu que atacaria se o Corinthians atacasse e defenderia, caso o adversário se defendesse. Mas a tática não foi das mais felizes. Num contra-ataque pela esquerda, o lateral Kléber rolou para Marcelinho Carioca que, dentro da área, chutou cruzado, fazendo o primeiro gol do Timão aos 18 minutos.

A partir daí o jogo ficou aberto e, apesar da desvantagem no marcador, o Guarani não se intimidou e continuou atacando. Aos 22 foi a vez do atacante Marcinho matar no peito e chutar para o goleiro Dida defender.

Aos 23 minutos, o Bugre perdeu sua maior chance de gol na primeira etapa. Após uma bonita arrancada, o atacante Mauro driblou o goleiro corintiano e, com o gol aberto, chutou fraco, possibilitando a recuperação do zagueiro João Carlos que salvou em cima da linha.

A equipe do Guarani finalmente chegaria ao gol através de Mauro, de cabeça. Mas o árbitro anulou, assinalando impedimento, o que gerou muito protesto por parte do time de Campinas.

Da mesma maneira, o Corinthians continuou criando boas oportunidades. Vampeta chutou de fora da área, levando muito perigo, aos 25 minutos. Cinco minutos depois, Fernando Baiano acertou a trave de Gléguer.

A nota triste da primeira etapa ficou por conta da contusão de Mauro, que teve afundamento de maxilar e malar depois de dividir com Nenê. O zagueiro corintiano atingiu com a chuteira o rosto do adversário, que deixou o campo sangrando muito.

No segundo tempo, jogo continuou aberto, o que possibilitou várias chances às duas equipes. Logo no começo, Marcelinho perdeu um gol feito, ao chutar duas vezes: na primeira, Gléguer fez grande defesa. O rebote ficou com o próprio Marcelinho, que desperdiçou ao bater para fora. Pouco depois foi a vez de Edílson perder uma boa oportunidade. O goleiro do Bugre fez novamente boa defesa, evitando o segundo gol adversário.

Apesar da maioria das oportunidades serem criadas pelo ataque corintiano, o Guarani não recuou em nenhum momento, mas não conseguia furar a barreira armada pela defesa alvinegra.

Aos 12 minutos, Fernando Baiano tentou encobrir Gléguer, que Se recuperou e tocou para escanteio. Empolgado com a oportunidade, o Corinthians faria o segundo gol três minutos depois. Kléber, da esquerda, cruzou para Ricardinho, que matou no peito e bateu de primeira, marcando um golaço.

Com dois a zero, a equipe comandada por Oswaldo de Oliveira recuou. Prova disso foi que o treinador tirou Vampeta, um volante ofensivo, que auxiliava na armação, para dar lugar a Gilmar, que se limitou à marcação. Pouco depois, foi a vez do cabeça-de-área Luis Mário entrar na vaga do atacante Fernando Baiano.

O Guarani ainda desperdiçaria uma oportunidade no fim da partida, com Gílson Batata, que dentro da área chutou para fora.

FICHA TÉCNICA

CORINTHIANS 2 x 0 GUARANI

Local: Estádio do Morumbi (São Paulo)

Data - Hora: 21/11 - 18h30min

Árbitro: Edílson Pereira de Carvalho (SP)

Auxiliares: Ednílson Corona (Fifa-SP) e Flávio Lúcio Magalhães (SP)

Gols: Marcelinho (18') e Ricardinho (60')

Cartões Amarelos: Luciano Baiano e Silvinho (Guarani); Edílson e Índio (Corinthians)

Cartões Vermelhos: André Gomes (Guarani)

CORINTHIANS: Dida, Índio, João Carlos, Nenê e Kléber; Vampeta (Gilmar, 74'), Rincón, Ricardinho e Marcelinho (Dinei, 83'); Edílson e Fernando Baiano (Luís Mário, 89'). Técnico: Oswaldo de Oliveira.

GUARANI: Gléguer, Luciano Baiano, Marinho e Marcelo Souza; Rubens Cardoso, Valdir Souza (Ramos, 68'), André Gomes, Renatinho, Silvinho (Betinho, 82'); Mauro (Gílson Batata, 37') e Marcinho. Técnico: Carlos Alberto Silva.

21/11

Jogo decisivo com apoio da Fiel

O confronto de hoje contra o Guarani, às 18h30, no Morumbi, não é um simples jogo para os jogadores do Corinthians. Todos sabem que, depois do empate conquistado em Campinas, a segunda partida do playoff das quartas-de-final do Brasileirão é a decisiva para conquistar a vaga para as semifinais. Uma vitória em cima do Bugre e a vantagem, que já é do Timão, será bem maior para o terceiro e derradeiro jogo. Melhor ainda será o apoio da Fiel torcida, que promete lotar o Morumbi.
“Temos que usar nossa vantagem nesses confrontos. Conseguimos um bom empate em Campinas e um resultado positivo nessa segunda partida praticamente nos colocará na semifinal”, afirmou o volante Vampeta na quarta-feira, antes de os jogadores adotarem a lei do silêncio com a Imprensa.
O treinador Oswaldo de Oliveira não poderá contar com o atacante Luizão (machucado) e os laterais César Prates e Augusto (suspensos). Para os seus lugares entram Fernando Baiano, Índio e Kléber, respectivamente. “Essas trocas não mudarão o nosso estilo de jogo, que é de jogar em velocidade. Vamos atacar o Guarani e vencer o jogo. Lógico, com a ajuda da nossa torcida”, garantiu Marcelinho.
O Capetinha Edílson já sabe que terá uma marcação especial, como aconteceu no jogo de Campinas. “Um garoto (André Gomes) ficou em cima de mim o jogo todo. Não desgrudou um só minuto. Como o gramado era ruim, não consegui sair da marcação”, admitiu. “Como agora a partida é no Morumbi e as dimensões são grandes, terei mais chances de me livrar dele.”

Palavras, palavras, palavras...

Pelo segundo dia os jogadores do Corinthians não falaram com a imprensa. Seguem fazendo greve de silêncio. Portanto, o que se lerá abaixo é pura ficção. Mas não estranhe se você já ouviu isso em algum lugar.

– Agradeço muito ao professor por essa oportunidade. Vou procurar fazer de tudo para ajudar o Corinthians e aos meus companheiros - diz Índio, comentando a chance dada por Oswaldo de Oliveira.

Marcelinho prevê que o jogo contra o Guarani será muito difícil.

– O Guarani é um grande time. Tem jogadores de qualidade. Será uma partida muito difícil. Mas contamos com a ajuda de Deus para superar mais esse obstáculo - diz Marcelinho, fazendo sua costumeira prece aos céus.

Nenê está preocupado com o ataque do Bugre. Para o zagueiro, todo cuidado será pouco:

– São grandes jogadores. Mas com trabalho e humildade conseguiremos superar as dificuldades.

Qualquer semelhança é mera coincidência ou não.

Responsabilidade na mão do grupo

Oswaldo foi contra a greve. Mas não conseguiu convencer o grupo a suspender a medida. O técnico está preocupado com as possíveis reações a uma derrota.

– Só vamos saber o que acontecerá após a partida. Mas eles estão conscientes sobre o que tal atitude pode causar – fala o técnico.

Quem contra-ataca?

Não é segredo que o Corinthians rende melhor quando obriga o adversário a lhe dar o contra-ataque. Só que no Morumbi isso será complicado. Como imaginar a Fiel quieta vendo o time fechado esperando o momento do bote? Na teoria, quem terá o contra-ataque é o Guarani. Só na teoria.

– Isso se nós dermos o contra-ataque para eles. Tudo vai depender da dinâmica do jogo – faz mistério Oswaldo.

O técnico tenta equacionar o problema de ter que chamar o Guarani para seu campo sem deixar de perder a iniciativa do jogo:

– Jogaremos no Morumbi. É lógico que teremos que tomar a iniciativa do jogo. É nossa obrigação. Mas a opção do contra-ataque não pode ser descartada.

A velocidade de Edílson e Marcelinho, aliada às dimensões do campo, são as armas do Timão para furar o bloqueio bugrino.

20/11

Computadores fazem arte

Não é preciso ser íntimo de Oswaldo de Oliveira para perceber que há algo de diferente no técnico do Corinthians. Elegante, articulado, antenado com as novidades tecnológicas que invadem o mundo da bola, o chefe corintiano está a léguas de distância do estereótipo de treinador representado pela figura de Carlos Alberto Silva, seu rival de amanhã.

Oswaldo é cria de Wanderley Luxemburgo. Como seu auxiliar, assimilou uma série de métodos e procedimentos do técnico da Seleção Brasileira. Um deles é a inabalável fé nos homens que o cercam. A comissão técnica corintiana é certamente a maior do futebol brasileiro. Conta com três preparadores físicos, dois preparadores de goleiro, um consultor técnico, dois médicos, um fisiologista, um auxiliar técnico e dois fisioterapeutas. Haja gente.

– Trabalhar com mais gente na comissão técnica é uma forma de dividir responsabilidades. Eu me sinto bem assim. É uma tendência que começou com o Luxemburgo e segui. Comigo, tem dado certo - responde Oswaldo aos críticos que o acusam de ter transformado a comissão técnica do Timão num verdadeiro cabide de empregos.

Oswaldo acompanha de perto as tecnologias que são criadas para facilitar a vida daqueles que usam a cabeça ao invés dos pés. Recorre à informática para desvendar os segredos dos times rivais e repassá-los aos seus comandados. Atualmente usa um programa chamado Tatic 3-D. O software fornece dados estatísticos e disseca virtudes e deficiências dos times e jogadores adversários. Não é o mais moderno dos programas. Mas é o usado pelo amigo Luxemburgo.

Outra característica que diferencia Oswaldo da maioria é sua maneira peculiar e democrática de conduzir o grupo. Nisso ele se distancia, é muito, da figura centralizadora do seu criador. Essa semana é pródiga em exemplos.

O técnico, mesmo desaprovando, não interferiu na decisão de seus atletas de não mais falar com a imprensa até o final do jogo de amanhã. Oswaldo também atendeu ao pedido dos jogadores que não queriam passar mais uma semana fechados num hotel fora de São Paulo.

Fez vista grossa às escapadas noturnas de Vampeta, Marcelinho e Edílson e, para sorte de Índio, extinguiu a multa por atraso, a caixinha. O lateral chegou atrasado ao treino de quarta de manhã. Muitos consideram isso mera fraqueza. Outros, a nova democracia corintiana.

Irmã de Vampeta sofre tentativa de seqüestro

A irmã de Vampeta, Micilene Batista Santos, levou um susto na tarde da última quinta-feira. Ela foi vítima de tentativa de seqüestro ao ser abordada por uma casal de foragidos (Altair Rocha da Silva e Márcia de Souza Maria) no Spa Triple J. Ranch Western Resort, na cidade de Boituva, a cerca de 110 km de São Paulo.
Segundo um dos proprietários do Spa, José Eduardo Graça Wagner, o casal levantou suspeitas logo ao chegar, pagando em dinheiro a diária de 15 dias de hospedagem. Após verificar a ficha policial de ambos, Eduardo acionou a polícia, que esperava um ato suspeito para agir. “Eles poderiam estar escondidos após um crime ou queriam dados sobre a segurança do Spa para possível assalto”, afirmou Eduardo. “Mas dificilmente conseguiriam sequestrar Micilene, pois há um forte esquema de segurança no local”.
Ainda assustada, Micilene lembrou que sua mãe quase foi seqüestrada no início do ano. “Estou chocada com a falta de segurança que existe em todo o País”, desabafou. O casal estava acompanhado de uma criança, possuía R$ 200 mil em dinheiro e armas.

Fifa dá força ao Corinthians

O diretor de futebol, Carlos Nujud, anunciou que o Corinthians ganhou um prazo maior para contratar reforços para o 1º Mundial de Clubes. A Fifa decidiu aceitar inscrições até o dia 20 de dezembro.
“Fico mais tranquilo, já que poderemos tentar de novo os jogadores que foram contactados antes”, comemorou o técnico Oswaldo de Oliveira. O Timão deve insistir na contratação do lateral-esquerdo Roger e o zagueiro Scheidt, ambos do Grêmio.
Lei do Silêncio - A história da lei do silêncio dos jogadores do Corinthians continua sem explicação. Diretoria e comissão técnica aprovaram a decisão dos atletas, que alegam que precisam de concentração total para o jogo contra o Guarani, amanhã, no Morumbi. Mas ninguém confirma oficialmente que o real motivo é outro. Um membro do grupo confidenciou na quinta-feira que a greve foi gerada pelas matérias sobre as noitadas dos jogadores na reta final do Brasileirão.
“Eles me passaram que precisam de concentração para a partida contra o Guarani”, disse Oswaldo de Oliveira. “Até tentei mudar este pensamento, já que sou favorável a um bom relacionamento com a Imprensa, mas eles foram irredutíveis.”

Unanimidade? Longe disso

Oswaldo de Oliveira assumiu o Corinthians pela primeira vez em janeiro. Ficou pouco menos de dois meses e foi trocado por Evaristo de Macedo. Voltou em maio. Hoje, seis meses e um título paulista depois, ainda está longe de ser amado pela Fiel.

Um dos principais motivos de irritação são as alterações que o técnico faz no time. A turma do "caviar", a galera que freqüenta as numeradas do Pacaembu, vai à loucura quando ele troca Luizão por Dinei, Vampeta por Marcos Senna e César Prates por Índio. O chamado "seis por meia" dúzia os deixa loucos.

Não são poucos os que dizem que o sereno e equilibrado Oswaldo não tem o perfil que um time explosivo e pulsante como o Corinthians pede. A tranqüilidade com que dirige o time na beira do gramado incomoda muita gente. Também tem a galera que acha o técnico muito bonzinho para domar feras de comportamento intempestivo como Marcelinho e Edílson.

Medo de assumir

Os jogadores corintianos resolveram não falar com os jornalistas até o final da partida contra o Guarani. A atitude foi tomada em represália a algumas matérias que mostraram a assiduidade com que têm freqüentado a noite de São Paulo.

Não tiveram coragem de assumir a razão da greve de silêncio e optaram por uma versão falsa, que foi anunciada por Carlos Nujud, diretor do clube.

– Eles disseram que precisam de concentração total para o jogo e que não querem dar entrevistas para ter o pensamento voltado exclusivamente para o jogo. Nós acreditamos em nossos jogadores e consideramos essa atitude como muito profissional.

Oswaldo de Oliveira foi comunicado da decisão dos atletas e tentou fazer com que mudassem de idéia.

– Mostrei a eles que qualquer tipo de relacionamento áspero com jornalistas seria ruim para nós, mas eles não mudaram de idéia. Eu não vou obrigar ninguém a falar. Isso é coisa do tempo da ditadura. Vou continuar tentando fazê-los mudar de idéia.

Sem coragem de assumir uma greve – muitos deles haviam prometido fazer greve em solidariedade a Sandro Hiroshi – preferiram a ironia.

– Estou com a garganta inflamada e doendo – disse Vampeta.

– Por favor, Jéfferson (Yassuda, assessor de imprensa) responde a esse rapaz o que ele deseja saber - fala Dida, rindo muito.

Oswaldo não acredita que o Guarani, por precisar de uma vitória, vá jogar de forma agressiva contra o Corinthians.

– Acho que vão jogar fechados porque vai haver um terceiro jogo e não vão querer se arriscar. Devem atuar com três zagueiros.

Um tipo de marcação que não o assusta.

– Nós fomos bem contra alguns times que atuaram dessa forma. A defesa fica mais forte, mas o meio-campo se enfraquece um pouco. Dá para superar esse esquema.

19/11

Quem cala consente

Final do longo treino de ontem. Microfones e câmeras e se dirigem a Vampeta. O baiano ignora e passa reto. Antes de sumir no túnel que leva aos vestiários manda um irado recado:

– Vocês não disseram que eu ficaria concentrado? Então, estou concentrado. Não vou falar.

Na hora, ninguém entendeu. Mas meio minuto de conversa com Oswaldo de Oliveira foi suficiente para conhecer as razões da atitude do volante.

– O grupo se reuniu e decidiu que não falará mais com a imprensa até o jogo contra o Guarani. É uma decisão que partiu dos jogadores. Eu aceitei – revelou o técnico.

A dois dias do decisivo jogo contra o Bugre o Timão resolve fazer greve de silêncio. A atitude coincide com a publicação de várias fotos de jogadores do Timão em festas que vararam a madrugada esta semana.

No domingo, Luizão comemorou o seu aniversário no "The Pool", a badalada casa do ator e apresentador Miguel Falabella. Lá estiveram Dida, Rincón, Vampeta, Edílson e Marcelinho.

Na terça, a dona do tchan mais cobiçado do país, Carla Perez, festejou seus 22 aninhos na "Fui", danceteria do ator e amigo de boleiro Eri Johnson. Marcelinho e Vampeta, os solteirões mais desejados do Parque, foram dar os parabéns à loira.

Não são poucos os boatos de que Marcelinho estaria tendo um caso com Carla. Na festa, o Pé de Anjo fez de tudo para não ser filmado e fotografado com ela. Mas não teve jeito. A dançarina o encontrou e conversou com ele por aproximadamente 15 minutos. Tudo devidamente fotografado e publicado pelos jornais.

É claro que não pega bem para um jogador aparecer nestas circusntâncias em uma semana de jogo decisivo para o Corinthians. Aí estariam os motivos da medida.

Apesar de todas as evidências indicarem o contrário, os jogadores do Timão que se dispuseram a falar com a imprensa garantiram que tudo não passa de mera precaução.

– Não se trata de represália. O jogo contra o Guarani é decisivo. Achamos melhor não falar. Às vezes uma declaração nossa pode ser mal interpretada. Na final do Paulista aconteceu isso – disse Ricardinho.

A greve começa hoje. Mas ontem, além de Ricardinho, só Marcelinho e Rincón falaram com a imprensa. O Pé de Anjo não quis responder a nenhuma pergunta sobre as suas aparições na noite. Disse o mesmo que Ricardinho sobre o silêncio.

Vampeta de saída

Agora é oficial. Os diretores do Corinthians finalmente admitiram que tem uma proposta por Vampeta. Apesar das negativas, será muito difícil segurá-lo após o Mundial. As especulações são muitas. Manchester, Inter de Milão e Fiorentina estariam interessados. A Roma também entrou na briga.

– Há uns dez dias recebemos uma proposta por Vampeta. O que estamos estudando é se vale a pena vendê-lo. Até porque quanto não gastaríamos para contratar um jogador do mesmo nível? – diz o diretor de futebol José Roberto Guimarães, sem querer revelar o nome do clube que fez a proposta.

Um indício forte de que Vampeta está de saída é a renovação do seu contrato. O Corinthians comprou o passe do volante no meio do ano. Na época, foi prometido ao volante que seria feito um novo contrato. Até agora o não saiu. O que se comenta é que os próprios procuradores de Vampeta, Reinaldo Pitta e Alexandre Martins, estariam retardando o acordo por causa das propostas que estão chegando.

– Temos a possibilidade de fazer um novo contrato. Mas agora existe essa proposta. Tudo tem que ser discutido com muito cuidado – diz Zé.

A única certeza dessa história é que Vampeta só deixa o Timão após o Mundial, prioridade para Hicks Muse, a parceira corintiana.

O Pé de Anjo é outro que teve nome envolvido em especulações. Na terça, o presidente do Santos, Samir Jorge Abdul-Hak, confirmou que o clube tem interesse na contratação do craque. O passe de Marcelinho pertence à Federação Paulista de Futebol. A Federação o repassou ao Corinthians que ficou de comprar o seu passe. Até agora não o fez. Pagou US$ 2,5 milhões, metade do valor combinado. O presidente Alberto Dualib prometeu a Marcelinho que compraria o seu passe.

– Fiquei super-feliz ao saber do interesse do Santos. Mas o quem decide o meu futuro é o presidente Eduardo José Farah - diz Marcelinho.

Edílson é na rede

O Capetinha Edílson marcou mais um gol de placa na sua carreira. O atacante do Corinthians lançou oficialmente ontem o seu site na Internet, onde os fãs podem saber tudo sobre a vida do craque e participar de promoções para concorrer a bolas e camisas autografadas do Corinthians. O endereço para acessar o site é www.edilson10.com.br. “Está muito legal o meu site. Todos têm de entrar na página”, pede o Capetinha.
Na página oficial, os internautas têm à disposição um acervo grande de fotos do Capetinha desde os seus tempos de Industrial (ES), onde começou a carreira de jogador, até a glória no Corinthians. Dentro de pouco tempo, será possível ver os gols de Edílson em vídeo. “Nosso projeto é colocar os meus gols o mais rápido possível no site. Uns dois dias depois de eu marcar um gol, ele já poderá ser visto em vídeo”, prevê o Capetinha.
O lado polêmico também está presente no site. Na página ‘Ficha Técnica’, Edílson conta suas artimanhas para driblar o então treinador do Timão, Wanderley Luxemburgo, na concentração por causa dos compromissos com o seu grupo de pagode Raça Pura.
Dentro de algum tempo, o internauta terá links para os sites do volante Vampeta, melhor amigo de Edílson, e do Raça Pura. A previsão é que as páginas oficiais entrem no ar no próximo mês.

18/11

‘Ele acabou comigo’

Índio guarda ótimas recordações do Guarani. O lateral fez a sua primeira partida como profissional justamente contra o rival do domingo. Foi num jogo do Paulistão do ano passado. O Timão venceu o Bugre por 3 a 1 no Pacaembu. O legal da história é saber quem Índio teve que marcar naquele dia.

– Lembro bem desse jogo. O professor Luxemburgo mandou eu ficar colado no Dinei - recorda Índio, que hoje cruza com Dinei todos os dias no Parque São Jorge.

O atacante era na época o grande destaque do Bugre. Daí a preocupação de Luxemburgo. Vadão, técnico do Bugre naquele Paulistão, tentou explorar a inexperiência de Índio. Mandou Dinei jogar em cima do lateral. A tática não foi muito feliz:

– O Dinei é fogo. Ele dá umas pedaladas muito loucas. Mas eu marquei ele direitinho. Por mim ele não passou nenhuma vez.

Dinei confirma a história. E não há porque negá-la, mesmo.

– O Vadão mandou eu ficar em cima dele. Ele achou que o moleque poderia sentir a responsabilidade. Que nada. O Índio jogou para caramba. Não tive chance nenhuma. Ele acabou comigo – conta Dinei.

E olha que Dinei fez de tudo para tirar o lateral do sério. Provocações não faltaram. Índio tirou de letra.

– Toda vez que ele chegava perto eu falava "sai daqui juvenil, não encosta a mão em mim". Não adiantou nada – lembra Dinei.

É assim que a Fiel quer ver Índio, domingo. Por uma dessas coincidências terá um novo encontro com o Bugre. Só que desta vez sem Dinei. César Prates, suspenso pelo quinto cartão amarelo, não joga. Em vez de Dinei, Índio terá que se encarregar da dupla Rubens Cardoso e Luiz Fernando. De qualquer forma, se diz preparado para a missão. O lateral garante que o Índio que entrará em campo no domingo é bem diferente daquele que anulou Dinei um dia:

– Ali foi o começo. Hoje sou uma pessoa bem mais madura. Já fui campeão brasileiro, paulista. Aprendi muita coisa nessa vida.

Edílson deixa banda de lado pelas finais

Sempre ocupado com o futebol e suas atividades extra-campo, o atacante Edílson muda a rotina de sua vida por causa do mata-mata do Brasileirão. O Capetinha só quer saber do Corinthians e deixa de lado os compromissos com sua banda de axé, o Raça Pura. “Não posso ficar me preocupando com tanta coisa ao mesmo tempo. Por isso, quero dar atenção nesse momento apenas para os jogos decisivos”, diz. “O que tenho de fazer fora do futebol, passo para pessoas de minha confiança. Depois, volto a me dedicar.”O atacante corintiano sabe que precisa estar bem preparado para desequilibrar nas partidas. “O jogador tem de estar 100% para poder mostrar todo o seu futebol. É preciso estar totalmente concentrado nesse ponto”, argumenta.
Concentração, aliás, é o que Edílson e o resto do elenco corintiano mais terão nos próximos dias. Com o cancelamento de um período de retiro no interior paulista, o treinador Oswaldo de Oliveira resolveu adiantar o início da concentração para hoje. O time treinará à tarde e irá direto para o hotel.

Oito empates? Dida não crê

Se empatar os próximos oito jogos, o Timão garantirá o bicampeonato brasileiro. Na teoria parece até fácil. Mas na prática qual a probabilidade disso acontecer?

– Eu não sou matemático. Mas acho muito difícil que isso aconteça – fala Dida, o homem que, teoricamente, pode dar o título.

Dida não se lembra de fato semelhante ter acontecido num time onde jogou:

– Acho que vi uma matéria na TV que falava de um time que empatou vários jogos. Mas não sei dizer que time era esse.

O goleiro ficou surpreso com as notícias de que um representante do Milan teria dito que ele se apresentaria ao clube italiano no início de janeiro:

– Não sei de nada. Meu contrato com o Corinthians vai até julho.

Baiano deve ser o 9

A cada hora que passa fica mais difícil para Luizão jogar contra o Bugre. A lenta recuperação da lesão na coxa direita deixa Fernando Baiano cada vez mais titular para o jogo contra o Guarani.

Baiano é o segundo artilheiro do time em 99. Com 22 gols, só perde para Marcelinho. Foi o goleador do time na Mercosul e na Libertadores. Os dez gols nas competições lhe renderam o apelido de "Rei da América".

A chegada de Luizão brecou a ascensão de Fernando. O banco de reservas passou a lhe ser íntimo. Fernando tem entrado no final das partidas. Seu último gol foi contra o Grêmio, em setembro, na vitória do Timão por 4 a 1 pela Mercosul.

– Se eu pudesse, em todo o jogo faria gol. Mas tenho entrado pouco nos jogos. Assim fica difícil marcar – justifica o atacante.

Luizão e Baiano têm estilos diferentes. O primeiro sai mais da área para buscar o jogo. Já Fernando é um atacante mais fixo, joga mais perto do gol.

Baiano sabe que uma boa exibição no domingo pode deixá-lo mais perto do sonho de disputar a Olimpíada. O atacante tem 20 anos. Sua última convocação foi para o Mundial Sub-20 do Egito, disputado no início deste ano.

17/11

Vai ser diferente

O Guarani tem a segunda melhor defesa do Brasileiro. No jogo de Campinas fez o seu papel. Não tomou nenhum gol. O Corinthians tem o melhor ataque do campeonato. Mas em Campinas ficou devendo. Por quê? Os jogadores explicam.

– A norma do Corinthians é ganhar. Mas em Campinas tínhamos o regulamento a nosso favor. Domingo vai ser diferente. Jogaremos em casa. A nossa orientação será outra – explica Edílson.

No Brinco de Ouro, o Capeta teve uma das atuações mais fracas deste Brasileirão. O apelido mais apropriado para Edílson seria anjinho, para o Guarani, é claro. Como no primeiro caso tudo tem uma explicação:

– Teve um cara que ficou o tempo todo atrás de mim. Isso, e mais o gramado, me atrapalhou bastante.

O tal cara foi André Gomes. O capeta e o carrapato terão mais um encontro no domingo. Edílson diz que sabe como fugir dele.

– Quero ver esse cara me pegar no Morumbi. Lá o campo é bom, grande – desafia.

No treino de ontem Edílson, Marcelinho, Ricardinho, Fernando Baiano, Kleber e Índio ficaram, sob o comando direto do auxiliar Edson Cegonha, ensaiando jogadas para furar o bloqueio liderado por Marinho. Foram cinco jogadas ensaiadas. O curioso é que três delas passavam longe dos pés dos laterais.

Eram jogadas rápidas, iniciadas por Vampeta e Rincón, que acionavam, com velocidade, Ricardinho, Edílson, Fernando Baiano e Marcelinho, que se movimentavam sem parar. Se der certo, o Bugre vai levar uma sacola de gols.

– A norma do Corinthians é ganhar. E nem ganhar de um, não. Vamos fazer mais – promete Edílson.

Marcelinho demonstra o mesmo otimismo do amigo e parceiro de ataque. O fato do melhor ataque do campeonato não ter marcado em Campinas não quer dizer muito para o vice-artilheiro corintiano.

– Houve uma marcação forte da equipe adversária. Esse foi o principal problema. Mas estávamos jogando fora de casa. Usamos o regulamento. Agora vai ser diferente. Jogamos em casa. Temos a obrigação de atacar - diz o Pé-de-Anjo.

Luizão está quase fora

O atacante Luizão está quase fora do segundo jogo do playoff contra o Guarani. Ontem o jogador passou por um exame de ressonância magnética feito pero médico do clube, Joaquim Grava, e foi constatado um edema na musculatura da sua coxa direita. O jogador vai passar por novos exames hoje e amanhã, este o definitivo, para saber se terá condições de jogo no próximo domingo.

– O doutor conversou comigo. Minha vontade de jogar é muito grande mas está difícil. Também não posso me precipitar e piorar as coisas – diz Luizão, visivelmente abatido.

Mesmo contundido, o atacante ainda pensa na artilharia do Brasileirão e chega até a brincar.

– Tenho esperanças que o Alex Alves também fique sem jogar. Assim, ele não dispara na minha frente – diz Luizão, que tem 17 gols no campeonato contra 22 do seu rival do Cruzeiro.

É a primeira vez que o jogador tem uma contusão como está e Luizão torce também para que seja a última.

– Eu nunca tinha passado por isto. É horrível – garante.

Luizão continua realizando tratamento em dois períodos e a definição final sobre seu aproveitamento no jogo sai somente depois do exame de quinta.

16/11

O dono da festa

Após o empate em 0 a 0 contra o Guarani, em Campinas, muitos jogadores do Corinthians se reuniram na casa noturna "The Pool", do ator Miguel Falabella, para comemorar o aniversário do atacante Luizão, que completou 24 anos.

O dono da festa, que não atuou contra o Guarani, chegou por volta de 0h10min. Lá já estavam os parentes, além de algumas personalidades, como a cantora Simony e o narrador de rodeios Asa Branca.

– Aqui estão quase todas as pessoas importantes da minha vida. Após três aniversários sozinho, estou muito feliz por estar ao lado delas – afirmou Luizão, que gostaria de ter enfrentado o Bugre e marcado um gol. – Daí a festa ia ser completa.

Dida, Vampeta, Marcelinho, Rincón, Edílson, Edu, entre outros, foram prestigiar o amigo.

– Meu presente é dar sorte para ele ser o artilheiro do Brasileiro – disse Vampeta, um dos mais animados, ao lado de Edílson.

Marcelinho e o goleiro Dida preferiram a discrição. Mais afastados do agito, ficavam de olho em tudo.

– O Corinthians é uma família. Vim dar os parabéns – disse Dida.

Atacar, só na ótima

O Corinhtians troca os laterais para o jogo de domingo contra o Guarani. Saem César Prates e Augusto; entram Índio e Kléber. Os titulares levaram o quinto cartão amarelo e estão de fora.

E pára por aí. Mudam os nomes, mas a intenção é manter o mesmo estilo de jogo que trouxe um empate de Campinas.

– Eu vou entrar para marcar os jogadores deles. Quando tiver uma chance, vou em frente, subo um pouco, mas a intenção é não dar espaço para eles – diz Índio, que demonstra otimismo em participar desse jogo.

– Estou pronto. Gosto mesmo de jogar decisões. No ano passado, entrei no final do campeonato, no lugar do Rodrigo, e não saí mais.

Do outro lado, Kléber é mais cauteloso. Ele diz que não sabe como se portar em campo. Que depende ainda da conversa que vai ter com Oswaldo durante a semana, mas uma certeza já tem.

– Não vou dar espaço para o Marcinho jogar. Ele é muito rápido e atrapalhou bastante a gente lá em Campinas.

A preocupação do Corinthians aumentou quando o time optou em jogar no Morumbi e não no Pacaembu as duas próximas partidas. A opção foi feita pelo tamanho do campo, maior do que o Pacaembu, o que permitiria ao Corinthians utilizar-se do contra-ataque, sua arma preferida. Acontece que contra-ataque é palavra que soa como declaração de amor da mulher amada para o pequenino Marcinho. Em Campinas, ele deve estar imaginando aquela imensidão de campo, cheio de espaços a serem explorados.

Se depender do Corinthians, vai continuar imaginando.

– Nós vamos jogar para ganhar a partida, mas não vamos dar nenhuma vantagem para o Marcinho. Não vamos dar espaços para ele jogar no contra-ataque contra nossa defesa – diz Nenê, que teve muito trabalho com Marcinho em Campinas, ao cobrir as ausências de Augusto.

Então fica assim. Corintianos que forem ao Morumbi já estão avisados. Desta vez, é sério. Para o Timão que luta pelo bicampeonato, o gol é apenas um detalhe.

A ordem é esperar por Luizão, o matador

A tal da contratura muscular na coxa direita de Luizão tem de acabar logo. É o que Oswaldo mais quer para o jogo de domingo.

Ele espera uma partida amarrada, difícil, daquelas em que uma oportunidade perdida é lamentada por muito tempo e não quer dar sopa para o azar.

Oswaldo quer Luizão em campo. O atacante, que às vezes é contestado pela torcida, merece confiança total do técnico. Luizão tem dado conta do recado desde a estréia no Brasileiro, quando fez quatro gols contra o Gama, em Brasília, transformando o que seria um vexame em uma quase goleada. Em 20 jogos no Brasileiro, Luizão marcou 17 gols.

São esses números que Luizão tem na ponta da língua quando é cobrado por algum torcedor, insatisfeito por algum período de estiagem do matador. Além disso, ele tenta mostrar que não é apenas um colocador de bola para dentro do gol.

– Tenho jogado bem, eu me considero o atacante mais moderno do Brasil. Sei fazer gols e também sei sair da área, armar jogadas para os outros. Não deu para fazer a primeira partida contra o Guarani, mas minha intenção é participar dos outros dois jogos.

– Se o Luizão se recuperar, vai para o jogo. Ele é o titular do time e queremos contar com força total nessa fase do Brasileiro. Nossa intenção é continuar não dando vantagem alguma aos adversários – explica Oswaldo.

15/11

A raça de sempre

Seria injusto dizer que o empate de 0 a 0 caiu do céu para o Corinthians, que ontem sofreu um sufoco impressionante do Guarani desde os cinco primeiros minutos de jogo. O ponto foi conseguido com ingredientes muito mais terrestres do que a vontade divina.

Foi com raça, decisão, pé duro em todas as divididas que o time de Oswaldo trouxe de Campinas o que tinha se proposto a conseguir. Ou melhor, a manter: a vantagem de jogar por empates. Nove empates, que agora são oito.

Guarani parecia um time da NBA. Marcação duríssima, o tempo todo, sem acreditar em bola perdida. O ataque do Guarani dava trabalho à defesa do Timão, principalmente pelo lado direito.

Everaldo e Marcinho infernizavam a vida de Augusto. Quando o lateral tentava sair jogando, não tinha facilidade alguma. O assédio era tanto, que Ricardinho precisou voltar para ajudar Augusto. Foi acompanhado por Valdir Souza, o que serviu para congestionar todo esse lado do campo.

A tática do Bugre só demorou um pouquinho para engrenar. Marinho tinha de cobrir Everaldo, função a que não está muito acostumado. Assim, o Corinthians teve um bom espaço para jogar no início, inclusive com Ricardinho acertando a trave de Gléguer, em cobrança de falta. Mas foi o único chute a gol do Timão no primeiro tempo.

E também foi apenas um sufoquinho de cinco minutos. Depois, começou o sufoco bugrino. Foi uma surpresa de Carlos Alberto Silva, que normalmente coloca o time para atacar com Rubens Cardoso, que ontem ficou preso, praticamente como um terceiro zagueiro, com Marinho e Marcelo Souza. Afinal, Edu Dracena estava suspenso e o tradicional esquema 3-5-2 bugrino não podia ser muito alterado.

O jogo foi muito disputado. No meio-campo, Rincón era um, era dois, era cem. Com os braços abertos, ganhava meio metro de envergadura. Era atacado por Marcinho e Mauro, pequeninos, e se defendia, o que deixava a torcida bugrina irritadíssima com a não marcação de faltas que não existiam.

– Não é porque eu sou forte que vou dar moleza. Eu abro os braços mesmo. Mas não sou violento – justificava, com razão.

O modo como o Corinthians se defendia chegava a ser heróico. Augusto salvou um gol, com uma puxeta em cima da linha, depois que Dida saiu mal, e Mauro perdeu outro, de cabeça, em um cruzamento de Marcinho,

Começa o segundo tempo e a primeira jogada mostra que nada vai mudar. Nenê tem a bola dominada, perto da bandeira de escanteio, e pensa que está tudo resolvido. É atacado por Mauro, que consegue um escanteio. O jogo é um só. O Guarani ataca, ataca e o Corinthians, quando tem uma chance na frente, é dominado pelo imenso Marinho, um zagueiraço, que em pouco tempo já deve ter rumo europeu.

Gílson Batata começa o aquecimento. Toda a torcida do Bugre bate palmas. Toda não. A mulher do atacante Mauro, não acompanha. Só que não é Mauro quem sai. Carlos Alberto Silva radicaliza. Tira Valdir Souza e vai para cima, com três atacantes. Oswaldo coloca Dinei para dar um pouco mais de clarividência aos contra-ataques. Mudam os jogadores, não muda o jogo. É o Bugre dando suas flechadas e o Corinthians fechado, defendendo seu forte. Como aqueles filmes de faroeste em que o pobre do índio sempre sai derrotado no final.

Gilmar entra para dar mais fôlego à defesa. Ele faz o que Marcelinho já havia feito duas vezes. Bicudos para fora do campo. O tempo passa, o Guarani ataca e o Timão segura, segura. Afinal, fazer um gol era problema para o Guarani.

Problema que o Corinthians não deixou ser resolvido. Sai de Campinas com um empate. Tem agora toda condição de garantir a classificação em São Paulo. E já mostrou raça para isso.

14/11

Timão iluminado

Começa uma nova decisão e a Fiel aposta em Marcelinho, como sempre. E aposta em Dinei, como no ano passado. Eles aceitam a missão e contam como querem ganhar mais um título.

Vocês crescem em decisão?

MARCELINHO: Eu continuo com 1m69 e meio, mas jogo muito melhor. Fico mais ligado no jogo, fico no meu canto, só penso no adversário e ganho muito mais concentração.

DINEI: Eu sou iluminado. Chego na decisão e apronto mesmo.

É por isso que a torcida confia mais em vocês? Marcelinho, que é um dos maiores ídolos do time, chegou a ser vaiado na Libertadores.

M: Foi uma minoria que vaiou. Se soubessem o que estava sofrendo! A minha separação foi muito dolorida, meu lado emocional sofreu demais. Separação é normal, mas a minha foi muito dolorida. Antes do jogo contra o Palmeiras, na preleção, passaram um vídeo com os familiares dos jogadores incentivando para a final. Quando vi os meus filhos falando, travei total. Chorei muito e nem consegui me levantar da cadeira. O Oswaldo foi e me levantou. Abri a boca, mesmo, mas a torcida tem direito de cobrar, não tem nada a ver com essas coisas.

L!: Você conversa mesmo com Deus quando vai cobrar faltas?

M: Não só nessa hora. Converso sempre com Deus. Na hora em que vou bater a falta, peço para que a bola entre. O que tem demais? O goleiro também pede para não entrar. E o que decide é o dom de cada um. Você acha que vem um anjo e bate para mim? Não, ali é treinamento, é habilidade. E quando eu converso com Deus, consigo uma concentração total. Os adversários ofendem, dizem que vou errar, mas eu estou conseguindo concentração total.

L!: Você é marqueteiro?

M: Não. Eu respondo o que perguntam e trato todo mundo muito bem. Se o cara não for bom de bola, não souber jogar, pode ser o maior marqueteiro do mundo e não vai chegar a lugar nenhum.

D: Eu sou marqueteiro. Adoro dar entrevista, adoro aparecer na televisão.

L!: O que acham de a torcida cobrar sobre a vida noturna do jogador?

M: Sou um ser humano como outro qualquer. Todo mundo pode se divertir. Sei que meu corpo é instrumento de trabalho e não vou acabar com ele. Se jogo no domingo, ninguém me vê na rua na sexta à noite.

D: Gosto de sair, de me divertir, não sei o que tem de errado. Quero ser cobrado pelo que mostra em campo.

L!: O que Deus reservou a vocês nesse campeonato?

M: Como sempre, Deus não me abandonou. Tive muito sucesso, joguei bem e agora, nas finais, quero fazer mais ainda.

D: Deus dá uma força para o Marcelinho no ano todo, mas para mim é só no fim dos campeonatos. Quando ele lembra, eu entro e ajudo o time.

M: Não fala isso, Dinei. Deus não abandona nunca. Ele te coloca no final para você ter mais sucesso. Ajudou a superar o problema das drogas. Quando alguém fala de alguém que venceu a droga, lembra de você.

D: É verdade. Ele dá o osso para vocês roerem e dá o filé para mim. Foi assim no ano passado.

L!: Vocês estudam os adversários do próximo jogo?

M: A gente conhece todo mundo no futebol. Mas não adianta estudar muito porque as coisas mudam. De repente, o cara que estava indo bem, sente as pernas tremerem e o outro que ninguém reparava vai lá e decide. Tem de ver na hora.

D: Esse aí que ele está falando sou eu. Minha perna não treme. Entro na esquerda e faço um tumulto.

L!: Analise o seu companheiro.

M: Confio muito no Dinei. Ele joga muito e desequilibra no final.

D: O Oswaldo falou que a gente estava jogando sem alegria. Eu acho que é porque o Marcelinho estava na frente com o Edílson e o Luizão. Quando o Marcelinho volta para o meio, o time fica alegre, fica bonito. O Marcelinho é demais.

 

Raio X do Corinthians

O Corinthians de Oswaldo de Oliveira liderou a primeira fase do Brasileiro desde a primeira rodada. Confira abaixo a campanha do Timão.

Jogos:

4 x 2 - Gama (F)
4 x 1 - Botafogo-SP (C)
2 x 0 - Guarani (F)
5 x 1 - Vitória (C)
4 x 2 - Botafogo (F)
3 x 1 - Juventude (F)
1 x 0 - São Paulo (C)
1 x 2 - Flamengo (C)
3 x 1 - Cruzeiro (F)
1 x 4 - Palmeiras (C)
2 x 4 - Vasco (C)
0 x 0 - Sport (F)
1 x 0 - Portuguesa (F)
1 x 0 - Paraná (C)
4 x 1 - Santos (F)
4 x 2 - Inter (Maracanã)
2 x 2 - Atlético-PR (F)
0 x 4 - Atlético-MG (Maracanã)
3 x 0 - Grêmio (F)
1 x 2 - Ponte Preta (C)
3 x 2 - Coritiba (C)

14 vitórias
2 empates
5 derrotas

Time base: Dida, César Prates, João Carlos, Nenê e Kléber; Vampeta, Rincón, Ricardinho e Marcelinho; Edílson e Luizão.

Destaque do Corinthians: O time paulista o melhor ataque do campeonato, com 49 gols.

Timão aposta no retrospecto

O retrospecto nesse Brasileirão não mente. O Corinthians tem tudo a seu favor nos números para derrotar hoje o Guarani, às 18h30, no estádio Brinco de Ouro, em Campinas, e dar um grande passo para a classificação às semifinais. Em dez jogos disputados fora de São Paulo (sem contar os dois no Rio, contra Inter e Atlético-MG), o Timão está invicto, com oito vitórias e dois empates, e quer fazer do Bugre a sua próxima vítima.
O treinador Oswaldo de Oliveira e os jogadores evitam falar sobre números, mas não negam que o Corinthians tem se saído melhor quando joga na casa do adversário. “Temos mais espaço para jogar, já que geralmente somos atacados e partimos para o contra-ataque. Mas isso não quer dizer que será assim contra o Guarani”, diz Oswaldo.
Caso vença a partida de hoje, em Campinas, o Timão terá a chance de liquidar o playoff no próximo domingo, em São Paulo, com mais uma vitória. “Não é esse o nosso pensamento inicial. Acho muito difícil acabar uma série em dois jogos, mas será uma situação interessante se vencermos no Brinco de Ouro”, afirmou o técnico corintiano.
O meia Marcelinho também acredita ser difícil vencer dois jogos seguidos. “No ano passado, ninguém conseguiu isso. Tivemos a chance contra o Grêmio, mas desperdiçamos. Agora, a história não será diferente”, comentou.

Oswaldo faz mistério para o jogo

O treinador Oswaldo de Oliveira resolveu fazer mistério para definir o time titular que enfrenta hoje o Guarani, em Campinas. Luizão, com uma contratura na coxa direita, pode dar lugar para Fernando Baiano ou Dinei. Na lateral-direita, a escolha está entre César Prates e Índio. As duas dúvidas só serão esclarecidas momentos antes da partida. “Já tenho uma idéia na cabeça, mas prefiro não revelar. Deixa para a hora do jogo”, contou o técnico.
O atacante Fernando Baiano é o mais cotado para jogar caso Luizão não se recupere e garante estar tranquilo para a partida. “Estou sem ritmo de jogo, mas tenho certeza de que darei o máximo dentro de campo para conseguir uma vitória”, disse o jogador, que marcou apenas um gol nesse Brasileirão.
Na lateral, César Prates tem mais chances de começar jogando. “Saí por causa dos cartões. Estou pronto para o que der e vier nessa reta final”, afirmou.

Capetinha destaca primeiro confronto

O Capetinha Edílson não tem dúvida. O jogo de hoje contra o Guarani, em Campinas, é o mais importante dessa série dos playoffs do Campeonato Brasileiro. “A primeira partida é a que mais vale para a classificação. Com um bom resultado, o time ganha mais moral e, no nosso caso, será melhor ainda porque jogamos os outros dois jogos na nossa casa”, afirmou.
Mesmo assim, Edílson sabe que não será fácil ganhar as duas primeiras partidas e eliminar o terceiro confronto. “Se a gente vence o primeiro jogo, o adversário jogará o segundo bem retrancado e pensando na terceira partida. Deverá ser assim contra o Guarani”, disse. “Seria bom se conseguissemos a classificação em dois jogos, já que teríamos mais tempo para treinar para a outra fase do campeonato.”
O Capetinha conta que tem levado sorte contra o time campineiro. “Marquei sete ou oito gols no Guarani quando defendia o Palmeiras. No Corinthians, no entanto, ainda não fiz nenhum. Espero que consiga desencantar dessa vez”, comentou Edílson.

13/11

Timão esperto com o bugre

Numa partida decisiva como a que o Corinthians fará amanhã, contra o Guarani, em Campinas, pelas quartas-de-final do Brasileirão, todas as armas têm de ser usadas para vencer a guerra por uma vaga nas finais. Para o Timão, nada como ter quatro jogadores no elenco que conhecem bem os segredos do Bugre. Luizão, Dinei, Edílson e Nenê jogaram pela equipe campineira e já deram orientações para o treinador Oswaldo de Oliveira.
“O Guarani tem um time rápido, com jogadores jovens e inteligentes. Teve seus altos e baixos como todos no Brasileirão, mas tem condições de disputar os playoffs de igual para igual”, afirmou o atacante Edílson. “O ataque deles é veloz. O Marcinho e o Mauro são baixinhos e dão um trabalho danado para marcar. Não podemos bobear”, contou o zagueiro Nenê.
Para o atacante Dinei, que espera ganhar uma chance caso Luizão não possa jogar (recupera-se de uma contratura na coxa direita), enfrentar a ex-equipe é muito doloroso. “Dá uma dor no coração ter de encarar o Guarani. Eles acreditaram em mim depois do problema que tive com as drogas. Mas sou profissional e já passei o que sei do time para o Oswaldo”, admitiu.
O treinador corintiano sabe que terá dificuldades contra a equipe de Campinas. “Eles têm um grupo muito homogêneo. Assim, formam um time entrosado e forte. O esquema do Carlos Alberto Silva trabalha muito com os laterais (Rafael e Rubens Cardoso) e é aí que temos de tomar mais cuidado. Gosto também do Marinho (zagueiro) e do Marcinho”, constatou Oswaldo.

Paredão Marinho impõe respeito

O Corinthians terá uma barreira difícil de ser superada contra o Guarani, amanhã, em Campinas, segundo os próprios jogadores. Trata-se do zagueiro Marinho, que já defendeu o clube em 97, e é visto com bons olhos pelos atletas do Timão. “Ele marca bem, tem boa colocação, bom cabeceio e sabe sair jogando. Precisa mais do que isso para um zagueiro?”, afirmou o atacante Edílson.
Quem mais elogia Marinho é o atacante Dinei, com quem atuou junto na equipe campineira. “Enfrentei o Marinho várias vezes. Além do ótimo vigor físico, faz muito bem a antecipação em cima do atacante. Acho até melhor que o Gamarra, que considero um dos melhores do mundo”.
O meia Edu é o único jogador do elenco que atuou com Marinho no Corinthians. “Jogamos a Taça São Paulo de Juniores, em 97, e fomos vice-campeões. Ele tem uma qualidade boa para sair jogando. Não fica dando chutão para fora”, contou o jogador.
O técnico Oswaldo de Oliveira confessou ser fã do zagueiro. “Ele joga muito bem. É técnico e não tem medo de sair para o ataque. Será um obstáculo para nós”, disse o técnico, que comandou Marinho no amistoso da seleção paulista contra a mineira, em julho.

Reforços inviáveis para o Mundial

O plano de Oswaldo de Oliveira de ter algum reforço para o Mundial Interclubes parece que foi por água abaixo. O diretor de futebol do Corinthians, José Roberto Guimarães, acha inviável realizar contratações a curto prazo. “Está muito difícil contratar alguém. O problema não é o prazo até o dia 15 (segunda), estipulado pela Fifa. É financeiro, já que os clubes pedem alto por determinado atleta”, disse Zé Roberto. O Timão assustou-se com a pedida de US$ 5 milhões pelo passe do lateral-esquerdo Róger.
O dirigente completa dizendo que “nosso pensamento não é para o Mundial. É para a próxima temporada.”

12/11

Em alta com o povão

Quem vai ao Pacaembu assistir a um jogo do Corinthians das numeradas sai de lá com a impressão de que Oswaldo de Oliveira é o pior dos técnicos do mundo, tal o número de insultos e ofensas que recebe. No outro lado, nas duras e nada abastadas arquibancadas, a reação é outra. É comum ver manifestações de apoio e incentivo ao treinador.

– Eu já estou acostumado. É sempre aquele pessoal que fica nas cadeiras cobertas. O povo da arquibancada é mais compreensivo. Sempre nos apóia – conta o técnico.

O engraçado da história é que o culto e elegante Oswaldo é vaiado por pessoas que teriam um perfil semelhante ao seu. Um público que paga R$ 20 por uma cadeira, raramente vai de ônibus ou metrô e chega em cima da hora ao estádio.

Já o incentivo vem da arquibancada. Um lugar normalmente freqüentado por um público de baixo poder aquisitivo, que pega várias conduções para chegar ao Pacaembu e não raro é visto pedindo dinheiro para entrar no estádio.

– Será que eles estão se refletindo? – deixa no ar um enigmático Oswaldo, sem querer dar mais detalhes sobre a perseguição vem das cadeiras do Pacaembu.

Oswaldo ainda tem dúvidas sobre o local onde o Timão mandará os seus jogos nos playoffs do Brasileirão. Pode até jogar no Morumbi. Segundo Oswaldo, a possível mudança de endereço não terá nada a ver com os chatos da "Turma do Caviar":

– O que levo em consideração são as condições e as dimensões do gramado. O Corinthians é um time que se dá muito bem quando atua em um campo como o Morumbi.

Contra o Guarani, a tendência é que os jogos sejam mesmo no Pacaembu.

A "Turma do Caviar" tem mais dois jogos para xingar.

Timão atrás de reforços

Hicks Muse e Timão perceberam que seria um risco considerável disputar o Mundial de Clubes com esse time. A ordem é reforçar a equipe para brigar de igual para igual com Manchester, Vasco e Real Madrid por aquele que será o maior dos títulos corintianos.

– Podem vir dois ou três reforços – admite Oswaldo de Oliveira, sem querer revelar os nomes pretendidos pelo Timão. Um zagueiro e um meio-campista são as prioridades.

José Roberto Guimarães, diretor da Corinthians Licenciamentos, está tratando da delicada questão. Delicada por quê?

As inscrições para o Mundial se encerram na segunda, dia 15. O Corinthians não poderá contratar nenhum jogador que esteja diretamente envolvido nas disputas do playoff do Brasileirão e do torneio seletivo para a Libertadores. O jeito seria buscar alguém no exterior. Só que os preços, em dólares, assustam.


‘Meio a zero está ótimo’

Ricardinho tem a receita para o Timão atropelar o Bugre e garantir vaga nas semifinais do Brasileiro.

– Agora a eficiência é mais importante que o brilhantismo. Temos que buscar aquilo que interessa. Qualquer resultado vale. 1 a 0, 2 a 2, meio a zero. O que ganha campeonato é eficiência – diz.

A recomendação de Ricardinho case bem com a sua postura dentro de campo. É difícil vê-lo fazendo uma jogada de efeito, destas que viram papo de bar no outro dia. O meia é metódico, porém eficiente. É difícil errar um passe. Acima de tudo, joga para o time.

Apesar de certas ressalvas da torcida, a campanha do Timão nesta primeira fase impressionou Ricardinho. O meia dá uma de matemático e recorre às estatísticas para demonstrar a superioridade.

– Eu tenho isso anotado em casa. Nos últimos dez anos nenhuma equipe terminou a primeira fase com um aproveitamento de 70%. Isso é pouco? – pergunta Ricardinho, o tímido eficiente.

11/11

Corinthians joga ótimo 1º tempo e vence Coritiba no Pacaembu

O Corinthians fez as pazes com a torcida ao jogar bem na noite desta quarta-feira e derrotar o Coritiba, por 3 a 2, no Pacaembu. O time paulista jogou muito bem na primeira etapa, quando saiu vencendo por 3 a 0. O resultado garantiu o Timão na primeira colocação na tabela da primeira fase da Série A, com 44 pontos. O Coritiba, que tinha remotas chances de conseguir uma das vagas, terminou com 29 pontos.

O Corinthians começou melhor e aos 15 minutos, Marcelinho Carioca acertou uma bomba no travessão. Dois minutos depois, Vampeta fez jogada individual, driblou o goleiro e marcou o primeiro. A vantagem foi aumentada aos 33: Marcelinho cobrou falta da entrada da área com perfeição. Conseguindo criar seguidas chances de gol, o Corinthians chegou ao terceiro aos 42, com Luizão completando de canhota, um cruzamento de Marcelinho.

O time, porém, relaxou no segundo tempo e logo aos cinco minutos João Santos descontou, cobrando com categoria um pênalti. Os paranaenses continuaram pressionando e o zagueiro Leonardo marcou mais um.

10/11

Corinthians tenta confirmar liderança

Corinthians e Coritiba se enfrentam nesta quarta-feira, às 21h40min, no Pacaembu, em partida válida pela última rodada da primeira fase do Campeonato Brasileiro.

O Timão quer garantir o primeiro lugar na classificação: a equipe paulista soma 41 pontos, assim como o Cruzeiro, mas tem uma vitória a mais - portanto, uma vitória já lhe garante a primeira posição. Já o Coxa ainda sonha com a vaga, mas além de precisar da vitória, tem de torcer por uma combinação de resultados.

Na tarde desta terça-feira, a equipe corintiana fez seu último coletivo antes do jogo contra o Coxa. O técnico Oswaldo de Oliveira aproveitou a oportunidade para insistir no treinamento de cruzamentos. Das 27 bolas alçadas na área, quatro saíram para fora e sete foram perdidas pela defesa.

Para Oswaldo, o maior problema da equipe está na falta de comunicação entre a defesa e o meio-de-campo.

-- Precisamos gritar mais. Tá faltando mais conversa dentro de campo. Um precisa corrigir o posicionamento do outro - afirmou o treinador.

A equipe que iniciará a partida contra o Coritiba será a mesma que começou jogando contra a Ponte Preta. Devido a uma tendinite, Luizão não participou do treinamento, mas está confirmado.

Sobre a pressão e as confusões armadas da torcida Gaviões da Fiel para que sejam feitas alterações na equipe, o meia Rincón confirmou a opinião de Oswaldo de que esse não é o direito do torcedor.

-- A torcida tem o direito de gritar na arquibancada. Não concordo com essa pressão, essa intromissão na vida do time. Aliás, é uma das coisas que acontece no Brasil e que eu acho que é um absurdo. Imagina se nós estivéssemos na mesma situação do Inter? Eles iriam nos matar - disse indignado o colombiano.

Marcelinho Carioca aceita a cobrança dos torcedores, mas não a interferência na escalação ou no posicionamento tático da equipe.

-- A torcida quer que a equipe vá para frente. Não podemos ir nesse embalo. Eles não entendem de tática e, de repente, o time vai para cima e acaba desguarnecendo o sistema defensivo - opinou Marcelinho.

O empate em 1 a 1 contra o Juventude, domingo, no Couto Pereira, reduziu ainda mais as chances de classificação do Coritiba à próxima fase do Campeonato Brasileiro. A probabilidade do alviverde paranaense figurar nas quartas-de-final é quase nula, já que o Coxa depende de tropeços dos rivais.

Para azar do clube, o treinador Márcio Araújo não poderá escalar sua força máxima, já que terá os desfalques de Cléber, contundido, e Flávio, suspenso, além de Mozart, que foi convocado para integrar a Seleção Brasileira Sub-23 nos amistosos na Austrália. Além disso, Darci é dúvida.

As chances de cada um:

CORINTHIANS: Com 41 pontos, o mesmo que o Cruzeiro, o Corinthians é líder, pois tem uma vitória a mais que a equipe mineira. Para manter a primeira colocação, basta que o Timão vença o Coritiba, ou até mesmo perca, contanto que o Cruzeiro também seja derrotado.

CORITIBA: O Coxa tem 3% de chances de ficar entre os oito primeiros colocados para disputar as quartas-de-final. Para isso, precisará vencer o Corinthians e torcer para que, entre Palmeiras e São Paulo, um dos dois seja derrotado. Além disso, Atlético-MG, Flamengo e Santos teriam de empatar ou perder. Desta forma, a equipe do Paraná se classificaria em oitavo lugar, podendo ser o sétimo se tanto Palmeiras quanto Sâo Paulo perderem seus jogos.

Marcelinho pisa no freio

Os dias de turbulência não assustam Marcelinho. Ele não tem medo que a Fiel se volte contra ele por sua participação em programas de televisão e em shows com a banda Divina Inspiração.

– Não misturo as coisas. Tenho jogado bem e isso é que interessa. O torcedor sabe que na hora da cobrança, eu resolvo para o time. E nem estou pensando em show, só no Coritiba.

Marcelinho é da Fiel. Sempre um dos jogadores mais queridos pela torcida, continua dizendo que que ela só ajuda, mas, pelo menos para o jogo de hoje, recomenda divórcio do torcedor.

– A torcida apóia, é muito importante, mas ela não conhece futebol, não sabe como deve ser o ritmo do jogo. Exige que a gente ataque sempre e assim não dá.

Ele pede que os jogadores tenham mais calma e paciência para ganhar o jogo.

– Não é hora de arriscar nada, de se expor sem razão. Não adianta ir no embalo. A gente escuta a torcida, se entusiasma e vai para o ataque. Assim, fica sujeito a levar um gol. E aí, tem de correr atrás. Contra o Coritiba vamos estar mais conscientes, esperando a hora para ganhar.

O treino de ontem serviu para deixar Marcelinho bem animado.

– Treinamos bastante a recomposição do time. Quando atacava, o meio-campo e a defesa subiam, quando defendia, todo mundo voltava. Vamos recuperar o espírito do início do campeonato. Estamos embalados e prontos para vencer.

Marcelinho sabe que uma vitória contra o Coritiba será a senha para um tempo de paz.

– Estou aqui faz tempo e conheço a torcida. Basta perder um jogo e vira um salseiro. Por isso, a reação tem de vir logo. No próximo jogo, sem falta.

Rincón não quer papo

Rincón não foi convidado para a reunião que haverá entre jogadores, comissão técnica e torcedores nos próximos dias. E, se fosse, não iria aceitar.

– Respeito quem pensa assim, mas não concordo. Só aqui no Brasil é que se conversa com torcedores. Tenho de pensar no jogo e não nessas coisas.

Para o colombiano, há um limite bem marcado para a atuação da torcida.

– Na arquibancada, eles podem fazer tudo, gritar, xingar, mas aqui, no treino, não. Eu venho aqui para trabalhar sério e não para conversar com torcida.

As últimas derrotas no Pacaembu não assustam Rincón.

– Nós não podemos desistir de tudo o que fizemos até agora e ir para campo com outra disposição. Temos de jogar do mesmo jeito que fizemos até agora, no ataque, buscando a vitória, sem mudar o esquema.

Rincón foi convocado para defender a Colômbia na partida contra a Eslováquia, dia 19. Havia um trato de que, antes de convocar Rincón, a confederação colombiana deveria entrar em contato com o clube para que o Corinthians não fosse prejudicado. Por isso, a convocação surpreendeu Rincón.

– Vamos ver como fica. Sempre critiquei a confederação, mas nã adianta nada. O negócio é conversar e ver como fica.

Ninguém crava seco

Os jogadores corintianos sabem da importância desse jogo contra o Coritiba, pressentem que seria um desastre perder o primeiro lugar na ultima rodada, mas ninguém mostra certeza absoluta de vítória.

– Como eu vou dizer que tenho certeza de vitória? É como se soubesse o número da telesena? Não sei, então não tenho certeza de ficar rico. Também não tenho certeza de vitória - diz Marcelinho.

Ricardinho afirma que cantar vitória antes de um jogo é falta de respeito ao adversário.

– Nós treinamos bastante, analisamos nossos erros, estamos com muita vontade, mas do outro lado tem 11 profissionais que devem ser respeitados

Rincón repete os argumentos de Ricardinho e Vampeta usa o mesmo exemplo de Marcelinho. Márcio Costa é confiante.

– Vamos ganhar com certeza. Pode me cobrar depois do jogo.

09/11

Fiel arma maior barraco


 
   O que era para ser apenas uma cobrança normal de cerca de 35 integrantes da Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do Corinthians, depois da derrota para a Ponte Preta, domingo, no Pacaembu, transformou-se na maior confusão no Parque São Jorge, ontem à tarde, na reapresentação dos jogadores. 
    Enquanto os torcedores esperavam para conversar com o treinador Oswaldo de Oliveira, três membros da torcida tiveram um entrevero com o volante Gilmar e os seguranças do clube.
    A confusão começou quando Gilmar saía do clube em seu carro. No estacionamento destinado aos jogadores estavam os torcedores, que cercaram o veículo do volante.
    Um dos integrantes da Gaviões, conhecido apenas por Samuel, resolveu tirar satisfação com Gilmar, que estaria fazendo racha nas ruas de Itaquera, onde ambos moram. Samuel explicou que ficou irritado e passou a xingar o jogador porque Gilmar teria dito que carro era feito para correr.
    A partir desse momento, a confusão aumentou e envolveu os seguranças do clube, que tentavam liberar a saída para Gilmar. O problema é que outro torcedor, o Magrão, deu um soco na capota do carro e iniciou uma briga com os seguranças. O jogador aproveitou o tumulto e disparou pela rua que dá acesso à saída.         Logo depois, a maioria dos torcedores foi embora. Ficou apenas a diretoria da torcida (Dentinho, presidente, e Metaleiro, conselheiro) à espera do treinador
.

Gaviões pede raça

   
Antes da confusão armada por integrantes da Gaviões da Fiel com o volante Gilmar, o presidente da agremiação, José Cláudio de Almeida Morais, o Dentinho, apareceu no clube para ter uma reunião com o técnico Oswaldo de Oliveira para cobrar mais empenho do time no Brasileirão. “Viemos conversar com o Oswaldo para saber o que está acontecendo com a equipe. O Corinthians nunca perdeu tantas vezes em casa num mesmo ano. E de goleada para rivais fortes, como Palmeiras, Vasco e Atlético-MG”, reclamou. “O Oswaldo fala que ninguém ressalta as 13 vitórias até agora, mas as cinco derrotas foram vexatórias.“
    Dentinho ressalta que a cobrança é normal no clube. “Faz parte. Queremos que o time esteja unido para poder conquistar o bicampeonato. No ano passado, foi a mesma coisa. Fomos até Atibaia, conversamos com o Wanderley Luxemburgo e a equipe ganhou o título”. A conversa com os líderes do elenco (Marcelinho, Rincón, Vampeta, Edílson e Ricardinho) será quinta-feira.

Time em cima do muro

    Os jogadores do Corinthians não estão muito dispostos a falar sobre as cobranças da torcida por causa dos resultados ruins do time quando joga no Pacaembu. O atacante Luizão, autor do gol contra a Ponte Preta, preferiu sair pela tangente ao ser questionado sobre o assunto. “Prefiro não comentar nada sobre isso. Meu negócio é apenas dentro de campo”, disse.
    O lateral-direito Índio, um dos mais vaiados no jogo de domingo, também não quer falar muito, mas acredita que a torcida tem de se preocupar apenas em torcer. “Eles têm apenas é que nos incentivar. Não pode ficar criticando”.
    O único que parece entender a posição da torcida é Dinei. “Também já fui torcedor como eles. Nós sabemos que, quando o time perde, a torcida fica impaciente e começa a criticar. Isso é normal”, opinou.
Sem polêmica - Irritado ao ser substituído por Dinei contra a Ponte, Luizão foi embora do Pacaembu antes do final da partida, mas garante que não tem problema com Oswaldo de Oliveira. “Não quero criar atrito com ninguém. Só tenho que trabalhar. O Oswaldo tem todo o direito de me tirar”, disse.

Delegado aparece no Parque

   
O delegado Pascoal Ditura, do 52º DP, deu as caras ontem, no Corinthians, mas não quis explicar o motivo de sua presença. Na semana passada, o segurança de Marcelinho, Ricardo Ferreira, bateu o carro do meia e um inquérito policial foi aberto, já que Ricardo não tem carteira de habilitação. Segundo funcionários do clube, o jogador já tinha ido embora quando o delegado chegou, mas ninguém viu o meia sair.
    “Não tenho que dar explicações, para vocês da imprensa, sobre o que estou fazendo aqui. Não tem nada a ver com o caso do carro do Marcelinho, que está correndo tudo bem”.

08/11

A parede caiu em cima do Timão

O Corinthians tinha a ilusão de que a parede havia caído. Alexandre, o goleiro menos vazado do campeonato, foi convocado por Wanderley Luxemburgo e desfalcou a Ponte Preta ontem. Só que a Macaca arrumou outro muro. Adriano fechou o gol. Nem parecia que fazia seu segundo jogo como profissional da Ponte. Foi um dos responsáveis pelos históricos 2 a 1 que classificaram o time às quartas-de-final.

Quem viu Basílio desfilando pelas cadeiras do Pacaembu teve a certeza de que a tarde era corintiana. Só que ao contrário de 77, o maior dos heróis corintianos nada pôde fazer além de assistir aos malandros moleques de Campinas vencerem o experiente Corinthians – mais uma derrota no Pacaembu.

Sabendo que a Fiel não iria perdoar uma falha que fosse do instável Augusto, o técnico Marco Aurélio mandou seu time atacar pela esquerda. Logo aos três minutos deu para perceber que esse era o caminho. O esperto Daniel ganhou na velocidade de Augusto e encheu o pé. A bola explodiu na trave de Dida.

A desconfiança logo se transformou em pânico. Régis e Daniel tabelam pela esquerda. O lateral cruza. Nenê e João Carlos, mal posicionados, assistem ao minúsculo Índio dividir no alto com Narcízio. O resultado da cadeia de erros foi visto dentro do gol de Dida.

Cinco minutos depois apareceu a malandragem. Daniel havia ficado no chão depois de uma dividida com Marcelinho. Augusto caiu no truque e deixou o lateral sem marcação. Quando a bola chegou, Daniel cruzou na cabeça de Vânder. Dois a zero aos 20 minutos era demais.

Era só Augusto pegar na bola que lá vinha ela, a vaia. Estridente, incessante, capaz de despertar uma múmia egípcia. Percebendo que era preciso fazer algo, a Gaviões da Fiel entrou no jogo para aliviar a barra:

– Augusto, Augusto...

– Ah, ah quem vaiar vai apanhar.

As vaias deram lugar a gritos de apoio e incentivo. A gritaria tirou o Timão da letargia. Nos últimos cinco minutos, Luizão e Marcelinho tiveram a chance de ao menos diminuir.

Na volta do intervalo os jogadores eram os mesmos. Mas o espírito, outro. Empurrado pela Fiel, o Timão cresceu. O desesperado Marco Aurélio pedia para o seu time sair. Mas o Corinthians sufocava. Marcelinho, de falta, quase faz o primeiro. Adriano e a trave salvaram.

Aos 17, veio a esperança. Rincón resolveu mostrar que também é malandro. Naquele bolo típico que se forma em uma cobrança de falta, Rincón tocou para Ricardinho, que cruzou para Luizão marcar. A partir daí os nervos falaram mais alto e a malaca Macaca começou a tocar bola na frente. Digna vitória.

Desde 85 a Ponte não se classificava para uma fase final de Brasileiro. Os 200 ponte-pretanos que estiveram no Pacaembu saíram extasiados do estádio. O grito era um só:

– A-e-i, pau no cú do Guarani.

Pau quebra no vestiário do Timão

A Gaviões da Fiel não agüentou ver o Corinthians perder pela quinta vez só neste semestre no Pacaembu. Depois do jogo, integrantes da organizada foram cobrar satisfações dos jogadores e do técnico Oswaldo de Oliveira. Resultado: muito tumulto, palavrões e uma tentativa de agressão a Vampeta.

A confusão teve início quando Dentinho, o presidente da Gaviões, foi aos vestiários conversar com Oswaldo. A princípio, o acesso ao local só é permitido à imprensa e membros do elenco corintiano.

– Não está dando. O Oswaldo sempre faz as mesmas substituições. É Dinei no lugar do Luizão e César Prates no do Índio. Troca seis por meia dúzia - protestava.

Dinei, representante da torcida no elenco, e o diretor de futebol Carlos "Nei" Nujud tentavam contornar a situação. Nujud, aos berros, dizia que "aquela não era para isso".

Na coletiva de imprensa, Oswaldo dizia aos repórteres que não falaria com Dentinho. Fora dos vestiários a temperatura aumentava. Outros membros da torcida queriam invadir o local. Nessa hora, um repórter de uma emissora de rádio disse ao grupo que "o lugar deles era na arquibancada". Era o que faltava.

Revoltados com o repórter, os torcedores forçaram o portão. A segurança tentou, mas não conseguiu, contê-los. Indignados, foram descontar o ódio nos jogadores. Dois deles tentaram agredir Vampeta. O baiano não se intimidou. A turma do deixa disso evitou o pior.

07/11

A parede caiu

Terça-feira, completam-se dez anos da queda do Muro de Berlim, o maior símbolo da Guerra Fria, o silencioso confronto que dividiu o mundo entre comunistas e capitalistas. Hoje, contra a Ponte Preta, a torcida corintiana poderá comemorar a queda de outro muro, na verdade um paredão.

No Pacaembu estarão frente a frente o melhor ataque e a melhor defesa do Campeonato Brasileiro. A Macaca tomou apenas 15 gols em 19 jogos. Tem a admirável média de 0,78 gol por jogo.

Passar pelo trio Alexandre-Ronaldão-Fábio Luciano é algo tão difícil quanto era para um alemão oriental pular o muro, escapar dos guardas comunistas e fugir para o lado ocidental. Só que o paredão campineiro vai estar sem o seu principal alicerce. O goleiro Alexandre, convocado por Wanderley Luxemburgo à Seleção Sub-23, embarca no começo da noite para Austrália e é o grande desfalque da Macaca. Adriano será guardião do paredão ponte-pretano.

– Lógico que é um jogo difícil. Ainda mais pela responsabilidade de pegar logo de cara o melhor ataque do campeonato – diz o reserva.

Os Três Terrores Edílson-Luizão-Marcelinho estão agradecendo até agora a força dada por Luxemburgo, ex-técnico da equipe. O trio marcou 31 dos 45 gols do Timão no Brasileirão. O time tem uma impressionante média de 2,38 gol por jogo. É o único do Brasileirão que ultrapassou a barreira dos 40 gols.

Sem Alexandre pela frente, a preocupação está toda concentrada na dupla Ronaldão e Fábio Luciano.

Luizão, que está a um gol dos artilheiros Guilherme e Alex Alves, enfrentou a dupla ano passado. O resultado não foi dos melhores: o Vasco perdeu por 2 a 1, em Campinas. Mas foi importante para tirar algumas conclusões.

– O Ronaldão dá uns carrinhos malucos. É duro passar por ele. O Fábio Luciano é bom jogador. Não é à toa que eles têm a defesa menos vazada do campeonato – responde Luizão, que desde os tempos do Guarani é um verdadeiro especialista em fazer gols na Macaca.

Com 21 gols, o ataque da Ponte está bem longe dos melhores do Brasileirão. Mesmo assim vai merecer uma atenção especial de Oswaldo de Oliveira.

– O lado esquerdo deles é o mais forte deles. Por ali caem o Régis, o Vânder e o Claudinho. Vou segurar o Índio e recuar um pouquinho – diz o técnico, que conta com a vitória para assegurar de uma vez o primeiro lugar no Brasileirão.

Novembro: o mês do Índio

Para quase todos os índios, abril é mês de festa. O Dia do Índio é 19, mas as comemorações estendem-se por quase todo o mês. Mas tem um índio no Corinthians que está fazendo de novembro o mês de sua festa particular.

Esta semana, está completando um ano que Índio virou titular do Corinthians. No dia 12 de novembro de 98, o Timão fazia uma despretensiosa partida contra o rebaixado América-RN. Já classificado em primeiro para os playoffs, era um jogo que Wanderley Luxemburgo usou para fazer uma série de experiências. Poucos titulares estavam em campo naquela tarde.

Índio era uma dessas experiências. Mas foi tão mal no primeiro tempo que Luxemburgo se encheu dele e no intervalo voltou com Rodrigo. Era o que Índio precisava. Em 14 minutos Rodrigo teve uma séria lesão muscular. Sem outra opção, Luxemburgo foi obrigado a efetivar Índio. O lateral se saiu bem, o Timão foi campeão brasileiro e o lateral nunca mais saiu. Rodrigo perdeu espaço e no meio deste ano foi emprestado ao Vitória da Bahia.

Agora a situação pode se repetir. Índio tinha iniciado uma única partida neste Brasileirão: a estréia contra o Gama. Do banco via César Prates dar as suas arrancadas nem sempre sincronizadas. Contra o Grêmio a esperada chance apareceu. Por medida de precaução, já que tem quatro amarelos, César Prates foi poupado por Oswaldo de Oliveira. Índio entrou e foi bem. Salvou em cima da linha uma bola que poderia ter sido o gol de empate do Grêmio.

Oswaldo gostou tanto que vai mantê-lo hoje contra a Ponte. Tem gente apostando que ele será o lateral do time nos playoffs. Para Índio, a sorte dos novembros não passa de mera coincidência:

– Nasci em abril, a festa do meu povo é em abril. É pura sorte essas coisas boas acontecerem comigo em novembro.

Superstições à parte, o metódico Oswaldo de Oliveira assiste a tudo com interesse. Ele pensa em colocar César Prates no segundo tempo para ele forçar o quinto amarelo e entrar limpo no playoff. Mas que isso não seja entendido como a garantia de César ser o titular no playoff.

– Jogadores como Vampeta, Rincón, Marcelinho, Edílson são realmente titulares. Os outros não. Estão no mesmo nível e tudo pode acontecer – diz o técnico.

A guerra está aberta.

Marcelinho fica em cima do muro

Raí, Jorginho, Zetti, Romário, Edmundo... Todos estão ligando para Marcelinho. O motivo: querem conversar com o Pé-de-Anjo sobre a posição que a categoria deve tomar no caso Sandro Hiroshi.

Marcelinho quer ajudar. Mas ainda não tem posição definida sobre que atitude tomar. Mas deixa claro que a radicalização não é melhor dos caminhos.

– O Raí, o Jorginho e o Romário têm mais de 34 anos. Estão com o burro na sombra. Eu não. Tenho 28 anos e mais uns oito de bola pela frente. Por isso qualquer decisão tem que ser bem pensada. Para que não prejudique ninguém - diz Marcelinho, no melhor estilo PSDB, partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, que virou piada por suas posições conciliadoras, para não dizer outra coisa.

O discurso muda de tom quando o assunto é o protesto que o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, presidido por Rinaldo Martorelli, pretende fazer na última rodada do campeonato.

Marcelinho não quer a greve. Mas manifestações com faixas e cartazes também não seduzem o craque corintiano:

– As pessoas não respeitam muito esse negócio de faixas e cartazes. É preciso uma ação direta. Necessitamos fazer coisas concretas para que o jogador brasileiro seja mais respeitado.

06/11

Marcelinho sem Thaís

Marcelinho estaria apostando forte para conquistar a atriz Thaís Fersoza, da Rede Globo. A notícia foi publicada pela revista Capricho dessa quinzena, que fala das muitas flores enviadas por Marcelinho à Thaís.

A revista não acredita no sucesso da empreitada de Marcelinho. Thaís, que trabalha na novela Malhação, namora Bruno Gagliaço, de 17 anos, também ator. O relacionamento que já dura um mês, estaria correndo riscos apesar de Thaís estar apaixonada. É que Bruno pode se mudar para a Argentina. Ele fez teste para o papel de filho de Ana Paula Arósio na segunda fase da novela Terra Nostra e, se não for aprovado, irá para Buenos Aires trabalhar na novela Chiquititas, o que poderia terminar com o romance.

Marcelinho desmentiu o novo amor, como já havia feito quando se falou que estava namorando Eliana e, mais recentemente, Carla Perez.

– Estão sempre arrumando namoradas para mim. Estou sozinho e muito bem. Quando estiver namorando, todo mundo vai saber. Não mandei flores para ninguém, nem estou pensando nisso.

Marcelinho está mesmo é pensando em Ronaldão. Ele respeita muito o zagueiro da Ponte, que vai enfrentar amanhã.

– Joguei muito contra o Ronaldão, quando ele estava no São Paulo. É um grande jogador. A defesa da Ponte é muito boa e nós vamos ter dificuldades. O São Paulo suou sangue para ganhar de 1 a 0. Nós conhecemos o time deles, estamos por dentro do Brasileiro e vamos entrar com muita vontade nesse jogo. A intenção é ganhar e garantir o primeiro lugar na fase para ter vantagens depois no playoff.

O Pé–de–Anjo só se assanha quando fica sabendo que a defesa da Ponte é a mais faltosa do Campeonato Brasileiro.

– Já que eles fazem faltas, tomara que façam ali perto da área, como foi no jogo contra o São Paulo. Aí, eu vou arriscar uma cobrança e tentar deixar o meu golzinho.

Terror do Chiqueirão adora a Ponte Preta

A estréia de Luizão no futebol profissional foi em um Derby, o clássico entre Guarani e Ponte Preta, que costuma parar Campinas. O jogo foi no estádio Moisés Lucarelli, pertencente à Ponte e ele fez um golaço.

– A torcida do Guarani começou a gritar "Luizão é o terror do Chiqueirão" para provocar o pessoal da Ponte.

Pode ser coincidência, mas Luizão ficou 17 jogos sem marcar.

– Acho que eles fizeram alguma coisa contra mim. A fonte secou.

São histórias do futebol de Campinas, mas apesar de tanta rivalidade, Luizão sempre gostou da Ponte Preta.

– A torcida deles é maravilhosa, parece a do Corinthians. A Ponte estava em dificuldades e agora se recuperou assim. É muito legal ver o time na luta pela classificação, jogando bem.

Luizão busca outros dados para provar sua admiração pela Ponte.

– Sou amigo da Conceição, que é a torcedora-símbolo da Ponte. Eu tenho uns apartamentos em Campinas e alugo para a Ponte. Tem uns jogadores do time que moram nos meus imóveis.

Bem, na quarta-feira, Luizão vai ficar contente se Ponte e Guarani conquistarem a vaga, mas amanhã, quer mesmo é fazer mais gols e adiar a classificação da Macaca.

– Estou jogando bem e, se depender de mim, a Macaca só se classifica no último jogo. Agora é nossa vez de ganhar e garantir o primeiro lugar de uma vez.

O Corinthians volta a jogar no Pacaembu, que torcida e jogadores consideram como sua casa. Vampeta, que volta ao time, também gosta do Pacaembu, mas tem outra preferência para a fase final do campeonato.

– Nos playoffs, prefiro jogar no Morumbi. É um campo maior e que dá mais condição para o nosso contra–ataque. O Pacaembu tem a vantagem da pressão da nossa torcida, mas prefiro o Morumbi. É mais difícil para os adversários fazerem uma retranca.

Mello aponta injustiças

Antonio Mello, preparado físico do Corinthians está revoltado com o que considera injustiças da CBF contra o Corinthians e propões ma aposta.

– A televisão mostrou a cotovelada que o Edmundo deu no Luís Alberto, do Flamengo. O rapaz levou três pontos na boca. Depois, o Edmundo bateu também em um jogador do Atlético-PR. Não vai acontecer nada. Agora, o Rincón foi punido por causa da cotovelada que deu no jogador do Flamengo.

Mello sugeriu que a diretoria do Corinthians editasse uma fita com essas agressões de Edmundo para que o Animal possa ser suspenso.

– A imprensa também prejudica o Corinhtians. Uma rede aqui de São Paulo, que devia estar do nosso lado, ficou repetindo a cusparada que deu no Paulo Nunes. Mostrava de trás para frente e de frente para trás. Vê se no Rio vão fazer isso com o Edmundo. Nós fomos o clube mais perseguido no Brasileiro. O Vasco pegou um jogo só e não saiu do Rio. Nós tivemos de jogar em outro estado. Não dá para entender essas coisas.

05/11

Luxa defende a CBF

Wanderley Luxemburgo voltou à velha casa. Visitou ontem o Corinthians, onde se encontrou com Oswaldo de Oliveira, Valdir de Moraes e outros membros da comissão técnica. Foi uma visita de cortesia, mas não se negou a falar da Seleção Brasileira.

E seu grande empenho era defender a entidade de qualquer culpa na atual invasão de gatos no futebol brasileiro.

– Só uma pessoa mal informada pode achar que vamos ter problemas por causa desse caso com o Sandro Hiroshi. Que culpa a CBF pode ter do que aconteceu quando o garoto tinha 14 anos? É completamente diferente do caso do México. Lá, a falsificação partiu de dentro da confederação. Nós não temos nada com isso e não seremos prejudicados por erro dos outros.

Luxemburgo, que vai acompanhar a Seleção olímpica à Austrália, elogiou os goleiros Renato, Alexandre e Sílvio Luiz.

– São muito bons. Jovens e de personalidade. Já sei qual dos três vou escalar, mas não é coisa para se dizer agora..

O técnico da Seleção tem gostado do Campeonato Brasileiro, mas diz que o do ano passado foi de melhor nível técnico.

– Essa questão dos cinco cartões amarelos atrapalhou bastante. A discussão ficou muito enfocada na questão da violência e não no futebol. Não houve uma revelação como foi o Fábio Jr. no ano passado.

Elogiou o trabalho do amigo Oswaldo, disse que o Timão merece o primeiro lugar e defendeu que o time mais bem colocado deve jogar a primeira partida da decisão em casa, com mais chance de manter a vantagem. Coincidência ou não, Luxa chegou ao Parque depois que Edílson e Marcelinho Carioca, jogadores com quem teve problemas, já haviam ido embora.

Artilheiro arrependido

O que você faria se fosse atacante, artilheiro de seu time e tivesse o mesmo número de gols que um zagueiro? É, no mínimo, motivo para ficar envergonhado. Esse é o caso de Jó e Wagner (quatro gols), do Botafogo de Ribeirão, Sorato e Romualdo (quatro gols), do Gama, e Julinho Petrolina e Leonardo(três gols), do Sport. Nenê, um zagueiro que só vai ao ataque nas bolas paradas, já marcou quatro gols neste Brasileiro. Ele abriu um sorriso quando ficou sabendo que tem mais gols que muito atacante por aí.

– Esses times bem que poderiam me contratar como centroavante – brincou o zagueiro artilheiro.

Gols não chegam a ser novidade para Nenê. Nos tempos de várzea – jogou no Roque de Moraes, do Limão –, Nenê era aquilo que antigamente se chamava de centroavante, o camisa 9 do time. Era o cara que ficava plantado na área, esperando a bola chegar. Tinha até ídolo:

– Eu procurava imitar o Serginho Chulapa. Gostava muito do estilo de jogo dele – conta.

Nenê garante que fez muitos gols nos esburacados campos da várzea. Mas a alegria acabou quando foi para o Juventus. Dara, um técnico das divisões de base do Moleque Travesso, o convenceu a mudar de posição. Ao invés de marcar gols, Nenê começou a evitá-los. Foi bom negócio?

– Eu me arrependi. O atacante é mais valorizado, sempre faz melhores contratos. Mas sei lá. Quem garante que ia dar certo? – diz Nenê, que sonha em um dia fazer o gol de um título. De preferência de bicicleta. Mas até bicão vale.

Briga pelas beiradas

Antes do treino de ontem, o grupo de jornalistas que diariamente acompanha o Corinthians estava dividido. Uns apostavam que César Prates voltaria e seria o titular do time nos playoffs decisivos do Brasileirão. Outros, amparados pela boa atuação de Índio contra o Grêmio, juravam que ele desbancaria Prates e ficaria com a 2 do Timão, como fez ano passado com Rodrigo.

A verdade é uma só. Poucos acreditavam em Augusto e Índio. A opinião geral é que só jogariam contra o Grêmio e nada mais. Mas a boa atuação da dupla deixou um ponto de interrogação na cabeça de Oswaldo de Oliveira. O técnico admite que a guerra está aberta.

– O Índio entrou porque o Prates tinha quatro amarelos, mas também porque eu precisava observar o seu futebol. Olhei e gostei muito do que vi. Não sei qual dos dois vai jogar – diz Oswaldo.

À esquerda o discurso não era muito diferente.

– O Augusto me impressionou muito. Depois de tudo o que ele passou, teve muita tranqüilidade no jogo em Porto alegre. Na primeira bola, saiu bem do Ronaldinho e soube se impor em campo. Essa tranqüilidade que mostrou pode pesar na hora em que eu for escolher o lateral para o playoff.

Num momento como esse, estrela costuma contar. E isso Índio tem de sobra. Em pouco menos de um ano ganhou três títulos: o Brasileiro, a Copa São Paulo de Juniores e o Paulista. Em Porto Alegre deu para perceber que tem sorte mesmo. Fabinho driblou Dida e chutou para o gol vazio. Já ia saindo para comemorar quando Índio apareceu e acabou com a festa. Seria o gol de empate do Grêmio.

– Se eles empatam naquela hora o jogo ia ser outro. Tive sorte. O cara chutou fraquinho e deu para chegar – contava o feliz Índio.

Augusto também se encheu de esperança. Segundo ele, até a outrora temida Fiel está colaborando.

– Tinha torcedores do Corinthians lá em Porto Alegre. Eles me apoiaram, estiveram do meu lado. Antes de entrar em campo pedi a Deus para me ajudar. Tenho certeza de que vou fazer sucesso aqui.

Vampeta joga o Mundial

Internazionale, Fiorentina, Manchester... Cada dia há um time interessado em Vampeta. Ele manda um recado à torcida e diz que fica.

– Eu vou jogar o Mundial pelo Corinthians. Minha intenção é ficar aqui muito tempo.

Só que há um impasse no meio do caminho. A Hicks comprou o passe de Vampeta e prometeu um acerto de salários.

– Só que não acertaram nada. Fica esse impasse aí para ser resolvido.

Na Itália, fala-se na iminente contratação de Vampeta pela Internazionale. Diretores do clube iriam até Vigo, na Espanha, na semana que vem, quando o Brasil joga com a Espanha para que Vampeta já assinasse um contrato com validade a partir de janeiro. Vampeta desconversa.

– Não sei de nada e não quero sair. Ganhei dois títulos no Corinthians e quero continuar no Brasil durante muito tempo.

04/11

Sul maravilha

Vampeta viveu ontem uma experiência rara. O jogador que mais atuou esse ano no futebol brasileiro, 72 jogos, pôde assistir a vitória por 3 a 0 do seu Corinthians sobre o Grêmio como qualquer mortal. Sentado no sofá da sala de seu apartamento, torcendo como o mais Fiel dos Fieis, tudo graças ao providencial descanso dado por Oswaldo de Oliveira. A pedido do LANCE!, Vampeta trocou a chuteira pela caneta e deu uma de comentarista na partida de ontem.

Antes do jogo começar, um joguinho de dominó com os amigos Everton, Pita e Fábio, gente boa lá de Nazaré das Farinhas.

Mal a bola rola e Ricardinho manda acerta a trave. Na TV, Falcão diz que pode ter sido bom para o Corinthians ter perdido para o Atlético-MG. Vampeta ouve, mas discorda.

– É bom perder, é – reclamou.

Fazia tempo que o volante não via um jogo do Timão do sofá. Mesmo assim, sabia onde morava o perigo no jogo. E aos 22 minutos o perigo arranca pela direita e sofre falta. Ele mesmo cobra. Dida pega:

– Todo mundo sabe que com o Ronaldinho não dá para vacilar. Mas o nosso time está esperto. Onde ele cai tem alguém pegando.

O jogo fica meio morno. Sem graça mesmo. Sobra até um tempo para falar um pouco sobre Edu, seu substituto no jogo de ontem:

– Eu gosto de ver o Edu jogar. Mas como volante, marcando e chegando de trás. Toca muito bem a bola, sabe marcar. É o futuro do Corinthians.

Olhando para Vampeta ali, esparramado no sofá, nem parece que eram seus companheiros que estavam ralando e suando pelo primeiro lugar,tal a tranqüilidade do ilustre filho de Nazaré das Farinhas:

– Esse jogo é tranqüilo. Sem crise.

Ruim seria se fosse uma semifinal ou uma final. Aí não ia dar para agüentar.

Fim do primeiro tempo. O comentarista Vampeta analisa assim o xoxo empate por 0 a 0.

– O primeiro tempo foi bom.. Se aquela bola do Ricardinho entra...– analisava Vampeta.

O jogo recomeça e Luizão dá um passe açucarado a Marcelinho. O Pé de Anjo enche o pé. Sílvio manda para escanteio. Vampeta leva as mãos à cabeça. O palavrão é inevitável. Enquanto a turma se divertia com as lembranças de Tarcísio, um velho técnico das divisões de base do Vitória, Ricardinho cobrava escanteio, Sílvio espalmava para o meio da área e Nenê enchia o pé para o gol.

Aos dez do segundo tempo, a pequena sala explodiu de felicidade.

Pouco depois do gol o celular toca de novo. Dessa vez era Rodrigo, o ex-lateral do Corinthians que hoje está no Vitória, time de coração de Vampeta. Na verdade não foi ele, e, sim o filho, que pegou o celular do pai para brincar e acabou, sem querer, ligando para Vampeta. Rodrigo nem sabia que o conterrâneo não estava jogando.

Aos 28 o susto. Fabinho passa por Dida e bate. Índio corre para bola e consegue evitar o gol certo. Vampeta deixa a serenidade de lado, levanta do sofá e grita:

– Valeu, Índio. Esse bicho é porreta – elogiou.

– Tem 20 anos, quatro filhos e joga para p... – emendou logo depois.

Dois minutos depois, Luizão domina na esquerda, ajeita e manda a bomba. Sílvio voa, se estica mas não chega. Era o segundo gol do Timão,o gol do alívio.

– Valeu, sapinho. Valeu, sapinho. Agora só faltam três pontos para a gente ser primeiro – dizia E ainda teve mais, de Marcelinho, aproveitando jogada de Dinei.

– Esse Dinei não é mole. Foi igualzinho na final do Brasileirão. Esse bicho tem sorte mesmo. É mais uma vitória fora de casa – finalizou Vampeta, com a tabela na mão e um sorriso no rosto.

Domingo, contra a Ponte Preta, ele volta. Desta vez bem descansadinho. E jogando bola.

Virada no intervalo

Oswaldo vibrou muito com a vitória, que para ele, foi pavimentada no intervalo do jogo.

– Nosso contra-ataque é muito poderoso e aparece mais nos jogos fora de casa. As equipes nos atacam e abrem espaços. Por isso, posicionei o Marcelinho bem aberto na direita, permitindo a chegada dos jogadores de meio-campo. Fomos muito felizes na mudança.

Ele falou também do período de quatro jogos sem vitória, terminado ontem.

– Acho que foi até normal. Nós já estávamos classificados e houve um relaxamento normal. Inclusive em termos disciplinares.

A meta é alcançar o primeiro lugar. E isso pode acontecer já no domingo.

– Esse resultado do Cruzeiro foi o pior possível, mas com uma vitória em um desses dois jogos, seremos os primeiros.

O meia colombiano Rincón, capitão da equipe, elogiou o desempenho do Corinthians no jogo de ontem.

– Nós voltamos a produzir o que produzíamos antes da fase desastrosa – disse o meia, lembrando da derrota para o Atlético-MG no último domingo

03/11

Timão para virar 

O Corinthians muda para continuar no mesmo lugar que ocupa há um ano: a liderança do Brasileiro. Oswaldo, que esperava garantir o primeiro lugar para descansar alguns jogadores, resolveu inverter a questão. Coloca alguns jogadores descansados para voltar a vencer e, então, lutar pelo primeiro lugar do Brasileiro.

Vampeta é o primeiro a sair. Jogador que mais atuou no ano, vai descansar e treinar um pouco, antes de voltar. Edu entra em seu lugar. Kléber, que sentiu um estiramento, dá lugar a Augusto. João Carlos, zagueiro de seleção, volta ao time após 42 dias de recuperação de uma fissura no dedinho, substituindo Márcio Costa.

Márcio, que reclamou das avançadas de César Prates, seu companheiro de quarto, no jogo contra o Grêmio, leva o amigo para o banco de reservas. Índio volta a ter uma chance no time.

– O César está com quatro cartões amarelos e fatalmente vai levar o quinto. E não há mais tempo para ver o Índio. Ele tem de voltar a ter ritmo de jogo. Só participou da primeira partida do campeonato, contra o Gama. A saída do César e do Márcio não tem nada a ver com a discussão que tiveram – diz Oswaldo.

O treinamento para o jogo contra o Grêmio foi diferente dos demais que antecedem jogos. Nada de descontração, nada de rachão. Oswaldo comandou um coletivo, exigindo sempre que os jogadores diminuíssem os espaços, não facilitando a vida dos adversários.

Marcelinho gostou muito.

– Foi um treino bom, todo mundo se empenhou. Acho que esse jogo contra o Grêmio pode ser o início de nossa recuperação no campeonato. Vamos jogar como sempre, marcando duro, ganhando as divididas e mostrando muita disposição. Assim, as vitórias vão voltar.

21h40min: Bandeirantes e Globo (para SP e BH) e Premiére

Jogo do futuro

Responda rápido. Qual foi a última vez que Índio e Augusto começaram como titulares uma partida do Corinthians? Essa é uma pergunta que só os mais fanáticos responderiam sem dificuldades.

Augusto entrou em campo pela última vez com a camisa 6 nas costas na derrota por 4 a 2 para o Vasco, dia 22 de setembro. Oito dias depois de naufragar no clássico contra o Palmeiras, o jogo que o colocou em desgraça com a Fiel. Um entorse no tornozelo esquerdo de Kleber lhe deu a aguardada chance. A ansiedade de voltar é grande.

– É uma oportunidade muito grande que tenho para recuperar o meu espaço. É um jogo bom para isso. O gramado do Olímpico é bom, o time do Grêmio organizado. Assim fica até fácil para jogar – diz.

O destino pode reservar uma boa surpresa para Augusto. Kleber vem caindo de produção. Se for bem no Olímpico, o amaldiçoado Augusto pode até ganhar uma chance entre os titulares nos playoffs.

Ficar no banco é um fato quase inédito na vida do lateral. Antes do Corinthians, só tinha experimentado essa amarga sensação uma vez na carreira, quando ainda jogava na Lusa. A situação tem provocado inconvenientes, no mínimo, hilários:

– É uma experiência quase nova na minha vida. Antes dessa temporada só tinha ficado uma vez no banco. Além da ansiedade isso dá um fome danada. Sempre no intervalo procuro comer umas uvas para enganar o estômago.

Índio é outro que está com fome de bola. Só que sua situação é mais difícil. O lateral-direito não começa uma partida como titular desde 15 de agosto. Só se jogar o que nunca jogou rouba a vaga de César Prates. Índio garante que tem condições para isso. Segundo ele, nem a denúncia de agressão feita por Silvianne – ex-noiva e futura mãe de seu quarto filho – vai atrapalhá-lo hoje em Porto Alegre.

– Não penso nisso. Só tenho cabeça para o jogo – diz Índio, que por via das dúvidas contratou um advogado para defendê-lo.

Todo cuidado com o garoto Ronaldinho

Se tem uma coisa que Oswaldo gosta é craque. Quando tem no elenco, bota para jogar, mesmo ouvindo críticas de que está faltando pegada no meio-campo.

Quando o craque está do outro lado, Oswaldo toma suas preocupações. Não chega a aderir à tese da marcação individual, mas exige uma aplicação maior da defesa.

Edmundo e Romário são dois dos jogadores que Oswaldo considera diferenciados. Perdeu dos dois. Romário deu um baile na vitória do Flamengo e Edmundo foi show na vitória do Vasco. Hoje, tem Ronaldinho. Outra dor de cabeça para Oswaldo.

– Ele joga muito bem, mas ainda não ganhou da gente. Foram dois jogos. Empatamos de 0 a 0 e ganhamos de 4 a 1. Ele tem mais uma chance de ganhar da gente hoje, mas tomara que não consiga.

Ronaldinho fez o gol solitário do Grêmio, mais um motivo para os cuidados do Timão. Cuidados que ficaram evidentes no treino de ontem. O auxiliar-técnico Edson Barbosa, dentro de campo, dava seguidas instruções sobre posicionamento aos jogadores.

– Nós estamos jogando muito abertos. A defesa está longe do meio e o meio está longe do ataque. Assim, sem compactação, aparecem espaços também na horizontal. Temos de tampar esses buracos.

Ele dá um exemplo do que aconteceu no último jogo.

– Aquele gol do Robert, por exemplo. Ele acertou um chute lindo, difícil de defender. Mas, poderíamos ter interceptado o passe que ele recebeu. Foi muito fácil aquela bola chegar até ele.

Oswaldo bate na mesma tecla.

– Temos de recuperar aquela nossa vontade de ganhar a bola, aquela marcação dura que caracteriza o nosso time. Esses espaços não podem acontecer mais, vamos dar um jeito nisso.

02/11

Grande líder também perde

Já faz um ano que o Corinthians não perde a liderança do Brasileiro. Ao todo, são 21 rodadas, três pela temporada 1998, 18 de 1999. O Timão só deixou a ponta duas vezes, nesse período, quando folgou na tabela. No dia 7 de novembro do ano passado, o Palmeiras assumiu o primeiro lugar provisoriamente. O mesmo aconteceu no dia 28 de julho deste ano. O Santos venceu o São Paulo por 3 a 2 e pegou a ponta por pontos ganhos. Por pontos perdidos, porém, o Corinthians é líder há 21 rodadas, desde o dia 24 de outubro de 1998, quando venceu o São Paulo por 2 a 1.

Mesmo assim, ontem foi dia de turbulência no Parque São Jorge. A goleada para o Atlético-MG evidenciou falhas na defesa, provocou a ira da torcida e o medo de perder a liderança, justamente às vésperas de entrar na fase final do Brasileiro.

O risco existe, mas não é quase impossível que isso aconteça se o Corinthians vencer o Grêmio, quarta-feira. Nesse caso, o time chegaria a 44 pontos e só o Cruzeiro poderia alcançá-lo. Nesse caso, o time mineiro também empataria em número de vitórias e o Timão só poderia perder a liderança no saldo de gols.

Quer dizer: a equipe de Oswaldo de Oliveira tem todas as chances de completar 23 rodadas na liderança. A rigor, a equipe não ocupa outra colocação a não ser a liderança desde a última semana de outubro. Um empate com o Paraná, por 0 a 0, em Curitiba, deixou a equipe um ponto atrás de Coritiba e Palmeiras, os primeiros colocados da época.

Oswaldo credita à boa preparação realizada para os campeonatos como o principal motivo de tanto sucesso.

– Eu fui o responsável pelo planejamento da preparação do ano passado e também de sua realização. Posso dizer que foi muito bem feito. Nesse ano, repetimos a dose. Começamos bem e conseguimos uma certa vantagem. Além disso, a base foi mantida e tivemos apenas duas contusões graves, com o Batata e o Gilmar. Isso ajuda muito, dá mais tranqüilidade ao trabalho – afirma.

Impossível ser rebaixado

Juca Kfouri no gol. Antonio Ermírio, Luciano Huck, Hortência e Erundina na defesa. O meio-campo com Washington Olivetto, Viviane Senna e Serginho Groisman e um ataque com José Genoíno, Vicentinho e Lula na extrema-esquerda.

Se Oswaldo escalasse esse time de corintianos famosos para jogar o Brasileirão do ano 2000, perderia todos os jogos – afinal, o Fluminense está na Terceira –, mas não seria rebaixado. O motivo é o título do ano passado e a boa campanha desse ano. A média de pontos é tão alta, que nem 21 derrotas seguidas faria o timão cair.

A brincadeira serve para mostrar como é bom ser líder durante todo esse tempo. A prática confirma. No playoff do ano passado, o Corinthians decidiu todos os jogos em casa, com a vantagem de poder jogar por três resultados iguais.

– É ma vantagem fundamental. Temos de fazer tudo para tê-la conosco de novo – diz Oswaldo.

01/11

Ao Galo, com carinho

Contra o Internacional, na primeira vez em que o Corinthians precisou fazer uma de suas partidas no Maracanã, a Fiel lotou 50 ônibus para ver seu time em ação. O resultado foi um show de bola e a vitória por 4 a 2. Ontem, o clima no maior do mundo era bem diferente. A arquibancada vazia transmitia tanto desânimo quanto o desempenho dos jogadores, dentro de campo. O Corinthians começou o jogo como o único time já classificado matematicamente. A derrota ainda podia significar uma coisa boa para o corintiano mais fanático: atrapalhar a caminhada dos rivais Palmeiras, São Paulo e Santos rumo à classificação. Correr para quê?

Claro que os jogadores não entraram no Maracanã pensando nisso. Mas o reflexo do relaxamento pela classificação assegurada foi uma goleada por 4 a 0, aplicada pelo Atlético-MG. O Galo chegou aos 30 pontos e ficou mais perto da vaga.

– O time foi disperso, desconcentrado. Coisa de equipe classificada mesmo – admitiu o técnico Oswaldo de Oliveira.

O treinador não aceitou como justificativa o fato de seu time já estar com a vaga nas mãos e cobrou mais motivação a partir da próxima rodada. A torcida – pelo menos a parcela que compareceu ao Maracanã – também não gostou. Já no intervalo da partida, ouvia-se gritos de "queremos jogador" e "Gamarra". O nome do zagueiro ficava fortalecido a cada erro de Nenê, no miolo da área. Dos quatro gols atleticanos, dois saíram pelo lado esquerdo da defesa do Timão, explorando erros de Nenê e Kléber. Um deles foi uma obra de arte. Robert lançou Guilherme. O centroavante matou no peito, em velocidade, deu um chapéu em Dida e concluiu para o gol vazio. Era o segundo gol da vitória, prenúncio da goleada atleticana.

Do lado mineiro, o resultado não foi atribuído ao desleixo corintiano, nem à ausência da Fiel torcida no Rio de Janeiro.

– Em Minas, disseram muitas coisas que não deveriam. Hoje mostramos que estamos vivos e brigando pela classificação – reclamou o cabeça-de-área Bruno, no fim do jogo.

– Vencemos a melhor equipe do campeonato por 4 a 0. Quer dizer que temos valor – resumia o meia Robert, o melhor homem do jogo.

Oswaldo de Oliveira demonstrava preocupação com mais um jogo sem vitória – o quarto em seqüência. Acha que mesmo com a vaga garantida e o primeiro lugar quase assegurado, o time não pode se desconcentrar, como aconteceu ontem. Mas sua preocupação era certamente bem menor do que a de cada torcedor de Palmeiras, São Paulo ou Santos. O Corinthians já tem seu lugar reservado na festa das finais. Os rivais... Bem, os rivais que corram com suas próprias pernas. Porque, para o Corinthians, o Brasileirão pra valer volta na segunda fase.

Sinal de alerta ligado

A goleada sofrida para o Atlético-MG ontem no Maracanã acendeu a luz amarela no líder Corinthians. O técnico Oswaldo de Oliveira e os jogadores não chegaram a se abalar, mas já existe um clima de inquietação no grupo.

– Essa partida serve de alerta para o Corinthians. Temos que continuar com a mesma pegada para terminar esta fase em primeiro lugar – adverte Rincón.

A derrota para o Galo é a segunda consecutiva do Timão, que na quarta-feira passada perdeu para o San Lorenzo (Arg) no Pacaembu e foi eliminado da Copa Mercosul. Além disso, é o quarto jogo sem vitória – dois pela Mercosul e dois pelo Brasileiro.

– A derrota sempre preocupa, mas tem de botar a cabeça no lugar e continuar trabalhando. Houve um acúmulo de erros, principalmente na defesa – assume o técnico Oswaldo de Oliveira.

– O time entrou disperso, desconcentrado, com o comportamento de equipe classificada. Não posso aceitar isso – reclama o treinador corintiano.

Na véspera da partida, Oswaldo pediu um pouco mais de sacrifício aos jogadores, admitindo que há uma sobrecarga física no elenco e sinalizando com a possibilidade de poupar os atletas nas últimas rodadas da primeira fase. No vestiário, os jogadores deixaram claro a necessidade do descanso e por pouco não pediram publicamente uma folga.

– Está havendo uma sobrecarga física grande e, por isso, um estudo para ver se tem um descanso para a reta final. A equipe não se encontrou bem nessa tarde e a gente fica triste – reconhece Marcelinho.

– Alguns jogadores estão sentindo a parte física. A equipe tem que ficar ligada para a fase final – diz o lateral César Prates.

Sobre os protestos dos corintianos que foram ontem ao Maracanã, e saíram gritado "queremos jogador" e "mercenários", os jogadores procuraram absorver com naturalidade.

– Temos de assumir a responsabilidade por ter jogado mal, mas também ter tranqüilidade nessa hora. Não existe culpado e o importante é cada atleta ter a cabeça tranqüila – afirma Marcelinho.

Um grito específico da galera, entretanto, irrita muito o meio-campista Rincón.

– O torcedor tem o direito de falar o que quiser. Só não aceito que me chamem de mercenário porque sempre dou tudo para vencer pelo Corinthians – garante.

A atuação do time foi resumida pelo zagueiro Márcio Costa.

– O time jogou mal, entrou apático, marcando pouco e deixando o Atlético jogar à vontade. Foi a pior partida do Corinthians no campeonato – acredita.

No Atlético, a boa atuação contra o Timão foi muito comemorada. Especialmente por Robert, que voltou ao time ontem e foi o melhor jogador em campo.

– Tudo deu certo. Desde o primeiro minuto, a gente impôs o nosso futebol. Foi um placar justo e poderia ser até mais – opina o meia.

– Foi fundamental a aplicação tática dos jogadores. Em nenhum momento deixamos de marcar e senti que o adversário não conseguiu jogar – analisa o técnico Dario Pereyra.

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